Última hora

Última hora

Baltazar Garzón julgado por investigar crimes franquistas

Em leitura:

Baltazar Garzón julgado por investigar crimes franquistas

Tamanho do texto Aa Aa

O juiz espanhol que sentou Pinochet no banco dos réus, enfrenta desde ontem a barra dos tribunais no seu próprio país, por investigar os crimes do franquismo.

Baltazar Garzón incorre numa pena de até 20 anos de inabilitação e dois anos de multa, acusado de ter ultrapassado as suas competências, ao lançar um inquérito sobre as vítimas da ditadura.

Uma acusação interposta por três organizações de extrema-direita, entre as quais a própria herdeira do movimento franquista da Falange.

Um julgamento polémico que o ministro da Justiça evita comentar: “temos de respeitar o trabalho da justiça, eu acredito na presunção de inocência, mesmo quando a pessoa incriminada é um juiz. Eu confio no trabalho da justiça e do Supremo Tribunal”.

As acusações datam de Maio do ano passado depois de Garzón ter-se declarado competente para investigar o desaparecimento de milhares de vítimas do franquismo, considerando-o como um crime contra a humanidade.

Para a extrema-direita, a decisão vai contra a lei de amnistia aprovada dois anos após a morte de Franco, em 1977.

Centenas de organizações de defesa dos direitos humanos já se insurgiram contra o processo contra Garzón.

O comité dos direitos humanos da ONU tinha exigido à Espanha que abolisse a lei da amnistia, que impede milhares de familiares das vítimas da guerra civil de recuperar corpos das fossas comuns.