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Oposição quirguize anuncia criação de governo de união nacional

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Oposição quirguize anuncia criação de governo de união nacional

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É o fim da era da revolução das tulipas no Quirguistão. A oposição tomou ontem o poder na capital, Bishkek, depois de semanas de protestos e de um dia marcado por confrontos violentos que provocaram mais de 60 mortos.

Os manifestantes ocupam desde ontem o edifício do parlamento e da presidência. Informações não confirmadas dão conta da dissolução do parlamento e da demissão do primeiro-ministro.

Ontem, a polícia tinha carregado violentamente sobre os manifestantes concentrados em torno do Parlamento, disparando a balas reais sobre a multidão. Segundo o ministério do Interior 65 pessoas morreram e mais de 400 ficaram feridas.

A oposição anunciou a criação de um governo de união nacional que deverá permanecer em funções até às eleições antecipadas previstas dentro de seis meses.

A líder do novo executivo e antiga ministra dos Negócios Estrangeiros, Rosa Otunbayeva, confirmou esta noite que o ministério do Interior se encontra sob o controlo da oposição.

O golpe de Estado ocorre depois de semanas de protestos contra o presidente Kurmanbek Bakiev, que se encontra refugiado na sua residência de férias na cidade de Osh, no Sul do país.

A oposição acusa o chefe de Estado de corrupção e nepotismo. Fontes diplomáticas norte-americanas afirmam estar a mediar negociações entre os golpistas e o presidente, sem avançarem informações sobre uma eventual demissão de Bakiev.

O líder da chamada revolução das tulipas tinha derrubado em 2005 o regime pró-russo do país, mas a repressão sobre os líderes da oposição e a degradação da economia tinham precipitado a sua popularidade.

Um manifestante explica: “primeiro foi o regime do Akyev, agora o de Bakiev. As pessoas estão descontentes. Olhe em redor, novos e velhos, todos pobres, sem trabalho. Dispararam sobre o povo, e depois disto o povo vai querer vingar-se”.

Alguns analistas apontavam esta manhã responsabilidades ao regime de Moscovo que depois da revolução de 2005 tinha perdido um aliado estratégico na região, disputado pelos Estados Unidos.

As petrolíferas russas tinham suspendido o fornecimento de petróleo ao país no início do mês, fazendo disparar o preço dos combustíveis e a ira da população.