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Edward Davey: "Não estamos impressionados com o governo trabalhista mas também não confiamos nos Tories"

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Edward Davey: "Não estamos impressionados com o governo trabalhista mas também não confiamos nos Tories"

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As legislativas britânicas aproximam-se e estima-se que a luta pelo poder vai ser bastante renhida.

Se os resultados forem equilibrados como se prevê, a terceira maior força política será o Partido Democrata Liberal, logo a chave para a formação de governo.

A Euronews falou com Edward Davey, um dos principais deputados da formação e ministro sombra para os Negócios Estrangeiros.

Euronews: Se me focar no termo que tem sido utilizado ultimamente – os democratas-liberais são a potencial chave para a formação do futuro governo – o que significa isso para si num partido que se prepara para as eleições?

Edward Davey: Bom, como disse o nosso líder, Nick Clegg, as pessoas é que são a chave. É uma eleição, é democracia e qualquer que seja o voto das pessoas, os políticos têm que os representar de forma justa. Por isso não é uma questão para os Democratas-Liberais decidirem qual vai ser o próximo governo. Nós podemos sim, se for um parlamento equilibrado, ter uma voz forte e quantos mais deputados o Partido Democrata Liberal tiver, mas forte será essa voz. Mas é provável que seja um único partido a ter um mandato claro, nos votos e nos assentos, e se assim for, respeitamos o desejo do povo britânico.”

Euronews: Quem estão mais inclinados a apoiar ? Conservadores ou trabalhistas?

Edward Davey: Bom, como eu lhe disse, as pessoas é que são a chave. Por isso, se derem um mandato claro tornando um partido o mais forte – em termos de assentos e votos – então, claramente, os democratas-liberais terão a obrigação de tentar reconhecer essa formação. Não passando obrigatoriamente por coligações ou negociações, e não deixando dúvidas que eles terão a primeira palavra, se quiser, na formação de governo.

Euronews: Claro que isso será difícil no que diz respeito aos temas que consideram não negociáveis, talvez naquilo que o eleitorado espera dos democratas eleitorais?

Edward Davey: Bom, como eu disse, pode até não haver negociações. Primeiro que tudo, o outro partido até pode querer negociar ou pode querer ter um governo minoritário. Muitos países no mundo têm governos minoritários, com o executivo sem maioria parlamentar, por isso podem não querer falar connosco. Mas tem razão quando diz que, se falarem connosco ou se nos pedirem para votar nos discursos da rainha, nos orçamentos e no resto, nós vamos ter exigências muito claras, e para as quais os deputados democratas-liberais foram eleitos.

Euronews: Algumas pessoas poderão dizer, incluindo alguns eleitores dos democratas-liberais, que é preciso ser mais transparente antes do escrutínio sobre quem são os possíveis parceiros.

Edward Davey: Bom, obviamente que não é algo em que sintamos prazer em fazer, no sentido que vemos grandes diferenças entre democratas-liberais e o partido trabalhista, e grandes diferenças entre democratas-liberais e os conservadores. De facto, pensamos que os trabalhistas e os conservadores têm mais em comum entre si do que connosco. Dai ser difícil para nós negociarmos para um governo de coligação, tanto com um como com outro partido.

Euronews: E Gordon Brown por exemplo. Temos informações de que os democratas-liberais não querem que se mantenha como primeiro-ministro.

Edward Davey: Bom, não penso que se trata de personalidades. Acho que é sobre o que é melhor para o país. Por isso, como dizia há pouco, mesmo sendo difícil para nós. trabalhar com outros partidos, por razões óbvias, se for no interesse da nação, se for isso que os eleitores decidirem, se de facto votarem para um parlamento equilibrado, então temos que tentar fazer com que funcione. Os políticos têm que trabalhar em conjunto. E um dos principais argumentos dos democratas-liberais na reforma política, é o nosso apoio a uma votação mais justa, é a representação proporcional por exemplo, como em muitos outros países, é isso que força os políticos a trabalhar em conjunto, a tentar colocar as diferenças de lado.

Euronews: Então podem trabalhar com Gordon Brown…

Edward Davey: Podemos trabalhar com quem o povo Britânico nos pedir. É a nossa tarefa. Sabe, a economia encontra-se em mau estado, temos uma crise económica. O parlamento nunca esteve tão em baixo como agora, depois da crise das despesas parlamentares, depois de falharem na reforma do financiamento partidário e por aí adiante.

Euronews: Dá ideia que existe uma certa divisão nas fileiras dos democratas-liberais porque temos Nick Clegg a criticar fortemente Gordon Brown nos últimos dias e um outro dirigente de primeiro plano a dizer que Gordon Brown não pode continuar primeiro-ministro. O senhor diz que para si isso não é uma questão? Está a dizer-me que está preparado para trabalhar com Gordon Brown?

Edward Davey: Não, eu não acho que exista qualquer divisão no partido, de forma alguma. As críticas de Nick Clegg são muito bem feitas e não existem dúvidas que francamente ele tem sido um pouco um falhanço como primeiro-ministro.

Euronews: Mas Nick Clegg está a afirmar que, caso exista um governo de coligação, Gordon Brown terá que se afastar? Não está ele a afirmar isso?

Edward Davey: Não, ninguém pediu isso. Chris Huhne, o nosso porta-voz para a Administração interna, foi incorrectamente citado num jornal. Ele falava sobre o que se tinha passado nos anos quarenta quando o Reino Unido teve que estabelecer uma coligação em tempo de guerra e o que isso significava para os diferentes lideres partidários. Algumas pessoas tentaram extrapolar isso dos anos 40 para 2010 e tenho receio que isso seja inevitável devido à proximidade das eleições. As pessoas interpretam e exageram. Acho que os democratas liberais têm sido muito claros: não estamos impressionados com Gordon Brown, não estamos impressionados com o governo trabalhista mas também não confiamos nos Tories.

Euronews: Então, com David Cameron, por exemplo, e William Hague, quem o senhor criticou bastante no passado… Será a mesma situação?

Edward Davey: Sim, se o povo tornar os Tories no maior partido, e eles serem claramente vencedores com um mandato para governar, então temos que respeitar isso. Agora, quer os conservadores queiram, quer não queiram, qualquer tipo de acordo connosco, isso é em último caso com eles, que são o maior partido.