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Quirguistão sobrevive com apoios estrangeiros

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Quirguistão sobrevive com apoios estrangeiros

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A economia do Quirguistão está no centro da revolta popular contra o presidente Bakyev.

As promessas da Revolução das Tulipas, para relançar a indústria e captar investimentos ainda não viram a luz do dia. Enquanto isso o país aguenta-se graças às ajudas estrangeiras.

Os protestos da oposição contra a corrupção e o nepotismo do governo semearam a revolta popular, num país onde 40 por cento das pessoas vive abaixo do limiar da pobreza

“O Governo não deve ser como um negócio de família. Deve haver alguém que pense nestas pessoas”, diz uma quirguize.

O fim do período soviético levou ao abandono da indústria nacional. Hoje a agricultura e os rendimentos dos imigrantes na Rússia representam quase dois terços do orçamento do país.

Uma situação agravada pela crise económica internacional, que reduziu as ofertas de trabalho nas fábricas russas, aumentado o desemprego.

“Quero paz e trabalho para todos. Actualmente não há emprego para os licenciados. Alguns têm de trabalhar no mercado. Por isso, os jovens estão a mudar-se para o Cazaquistão e para a Rússia”, acrescenta um agricultor.

Se a abundância em ouro, numa das regiões mais férteis da Ásia Central, desperta a inveja das áreas vizinhas, é a posição geoestratégica do país que mais tem beneficiado os cofres do Estado.

Entre a Rússia e a China, e às portas do Afeganistão, o país alberga duas bases militares que representam milhares de euros de compensações anuais.

Uma situação que obriga a região a balançar entre os interesses dos Estados Unidos e da Rússia.

Há um ano, Dimitri Medvedev prometia a Bakiev uma ajuda de mais de dois mil milhões de euros, a troco do encerramento da base militar norte-americana.

A proposta ficou sem efeito assim que Washington acenou com um aumento da renda da base até 180 milhões de dólares anuais.

A atitude de Bakiev foi-lhe fatal.

Em Fevereiro, Moscovo bloqueou o pagamento de ajuda humanitária ao governo e abandonou a redução dos preços de combustível, acordadas com o país.

A situação económica agravou-se e a população exprimiu a cólera contra Bakiev.