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Escândalos sexuais ensombram visita de Bento XVI a Malta

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Escândalos sexuais ensombram visita de Bento XVI a Malta

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O Papa Bento XVI visita este fim-de-semana a ilha de Malta, um dos países mais católicos de toda a Europa, onde apesar de um intenso debate, o divórcio continua a ser proibido.

Na agenda, entre outros assuntos, está prevista uma visita a um lugar onde segundo a tradição católica, S. Paulo refugiou-se após seu naufrágio na ilha há quase 2.000 anos.

Mas a deslocação arrisca-se encalhar na maré dos contínuos escândalos de pedofilia.

Um grupo de dez vítimas maltesas reclama um encontro com o sumo pontífice para que este peça desculpas pelos abusos sexuais cometidos num orfanato da ilha, durante os anos 80.

Três sacerdotes encontram-se envolvidos neste caso, um dos 13 que ainda aguardam um exame de uma comissão especial, criada pela igreja Maltesa na década de 90.

“Ele molestava-me. E depois às sete ele ia-se embora para dar a missa. Vê-lo a celebrar a missa… imaginam como me sentia. Quero conhecer o Papa. O Papa conhece a verdade. Ok. Quero que ele peça desculpas a todas as vítimas em Malta, porque quando foi à Austrália e aos Estados Unidos ele pediu desculpas”, afirmou uma vitima.

O Vaticano ainda não confirmou se a sua santidade vai encontrar-se com as vítimas de abusos sexuais em Malta.

Sem ter feito ainda qualquer comentário sobre as acusações que pendem sobre uma centena de sacerdotes, nem sobre o alegado conhecimento de abusos feitos no passado, Bento XVI acabou por falar.

Recentemente exortou a igreja e os cristãos a fazer penitência e a reconhecer os erros cometidos nas suas vidas, numa referência aos sucessivos escândalos de pedofilia no seio do clero.

Uma crise que não parece preocupar os fiéis que acudiram à Praça de São Pedro, no Vaticano, para felicitar o Papa pelo seu aniversário octogésimo terceiro aniversário.

“Expresso todo o meu afecto por ele e agradeço-lhe por tudo o que diz, que é realmente profundo. Estou muito feliz pela sua transparência, coragem, lealdade e também humildade”, disse uma freira presente nas celebrações.

Com mais de 250 casos de abusos sexuais revelados só na Alemanha, país de origem de Bento XVI, Berlim foi palco de uma manifestação. Associações e vitimas exigem mais transparência sobre o tema e sobre a condenação dos responsáveis.

O governo alemão e a Igreja Católica vão discutir o assunto numa série de reuniões agendadas para a próxima semana.

O quinto aniversário do pontificado de Bento XVI, celebrado na próxima segunda-feira, parece cada vez mais um interminável calvário.