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City: a jóia da coroa britânica

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City: a jóia da coroa britânica

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A City aguarda com expectativa as eleições legislativas no Reino Unido. Os bancos britânicos querem um governo que proteja o país e se debata pelos interesses nacionais perante a União Europeia, ou seja, um executivo que defenda a banca.

Trabalhistas, conservadores ou liberais democratas, eis a questão. O importante é defender os interesses da instituição bancária e do sistema que representam. Um dos mais importantes do mundo.

Um corretor londrino afirma que as pessoas vão para onde está o dinheiro. “Temos o caso da China e da Índia e se não pudermos entrar no jogo devido a um sentimento regulador contra os bancos, não me parece bom.”

Um outro corretor da City acredita que os conservadores estão numa posição melhor porque é preciso proteger as finanças britânicas antes de olhar pelos outros.

O calcanhar de Aquiles do sistema financeiro britânico é a União Europeia e os Estados Unidos que querem um sistema de regulamentação financeira mais apertado.

Ana Haurie, da Dexion Capital afirma: “Esta directiva é muito mais sobre política e há, na Europa, uma antipatia pelos fundos especulativos, mas o alvo desta directiva é muito mais vasto.”

Gordon Brown e David Cameron têm pela frente uma dura batalha. Para além de convencer o eleitorado é preciso proteger a jóia da coroa. A economia britânica gira em torno da City.

Ian Begg, da School of Economics de Londres garante que proteger um centro financeiro é importante para a economia britânica na mesma medida em que, para a Alemanha, é fundamental proteger a manufactura e para França o turismo. Estes sectores são a engrenagem da economia, permitem-lhe permanecer saudável. Acrescenta que, por isso, por um lado há o eleitorado que procura políticas que sustentem uma posição de competitividade da City, por outro, o antagonismo entre os banqueiros, que trocam acusações sobre quem causou a recessão, na mesma altura em que se pede maior regulação e controlo sobre os bancos.

A situação da economia britânica é delicada. Actualmente o défice representa mais de 11% do PIB. Há mesmo quem defenda que o país pode estar em pior situação do que a Grécia ou Portugal.