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Ex-ministro critica despesismo do governo português

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Ex-ministro critica despesismo do governo português

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Apesar da crise da dívida, Portugal vai avançar com os grandes projectos de obras públicas.

O primeiro-ministro José Sócrates garantiu hoje, no Parlamento, que o país vai respeitar o programa de austeridade para reduzir o défice, um dia depois do Conselho de Ministros ter aprovado a continuação dos projectos do TGV e do novo aeroporto de Lisboa, debaixo das críticas da oposição.

O programa de austeridade, aprovado por Bruxelas, implica uma redução do défice para os 2,8% até 2013.

De Berlim veio um sinal de confiança. Num breve encontro em Lisboa, o ministro da economia alemão Rainer Bruederle saudou o plano português e o acordo contra a crise feito entre os dois principais partidos.

Para falar sobre este assunto, a euronews convidou Eduardo Catroga, economista e antigo ministro das Finanças de Portugal.

Ricardo Figueira, euronews: Sr. Professor, bom dia. Obrigado por estar connosco. Há alguma comparação possível entre a situação de Portugal e Espanha e o que se passa na Grécia?

Eduardo Catroga: As situações de Portugal e Espanha são diferentes em relação à situação grega, que é um problema grave de liquidez. No entanto, há efectivamente alguns aspectos comuns, mas que têm a ver com questões estruturais, ligadas com a divida externa.

Ricardo Figueira, euronews: No caso específico português, o governo ontem reafirmou a intenção de continuar com o projecto de construir grandes obras, nomeadamente a linha de alta velocidade e o novo aeroporto de Lisboa. Acha que, dada a situação da dívida, o país pode permitir-se prosseguir com estas obras?

Eduardo Catroga: O Governo, a começar pelo primeiro-ministro, tem tido dificuldades em interiorizar que o contexto financeiro internacional mudou em 2008/2009. Essas notícias de que o governo tem a intenção de continuar com grandes projectos públicos que podem ser rentáveis a vinte anos mas não o são, seguramente, nos próximos cinco ou dez anos, não são boas notícias.

O governo tem que ser coerente. O governo vai precisar de tomar um conjunto de medidas de aumento de impostos como o IVA mas, simultaneamente, vai pedir mais sacrifícios aos portugueses, tem que reduzir a despesa.

Nós estamos numa fase em que a solução deste problema exige que, a nível da Zona Euro, os principais responsáveis queiram defender a estabilidade do euro. Mas não basta. Os países têm que fazer bem o trabalho de casa.