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UE receia a vitória dos "Tories"?

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UE receia a vitória dos "Tories"?

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Será que a União Europeia teme a vitória dos conservadores britânicos? Nem por isso. Bruxelas prefere uma coligação com os liberais-democratas, mas não entra em pânico com a eventual vitória dos “Tories”, conhecidos pelo eurocepticismo.

O analista Marco Incerti, do Centro europeu de Estudos Políticos, explica que “a União Europeia evoluiu numa direcção que se aproxima dos desejos do Reino Unido e do eleitorado britânico. Actualmente, não há um grande apetite por mais desenvolvimentos, por mais cooperação, como foi testado durante a crise económica. Por isso, não haverá muitas mudanças”.

Os europeus receiam que Cameron acabe por ceder às pressões da ala mais radical e tente renegociar o Tratado de Lisboa, como explica Charles Grant, do grupo de pressão Centro para a Reforma Europeia: “Ele disse que quer construir a credibilidade, mostrando que é um líder europeu construtivo na parte inicial do mandato se conseguir chegar ao cargo de primeiro-ministro. É encorajante, mas mantêm-se os receios que após alguns anos volte atrás para tentar mudar os tratados. A Europa passou dez anos a negociar os textos e todos estão fartos”.

Edward McMillan-Scott, eurodeputado liberal-democrata, evoca uma possível pressão sobre o governo de Cameron, pois, como ex-conservador, recorda que a ala mais radical, que quer o Reino Unido fora da Europa, representa 40% do partido.

Segundo vários diplomatas, a vitória dos “Tories” irá afectar, sobretudo, Catherine Ashton. A chefe da diplomacia europeia chegou ao cargo há seis meses com o apoio de Gordon Brown mas ainda não se impôs. Há jornais que evocam uma possível demissão se perder o apoio em Londres.