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Uk: escândalo das despesas dos deputados

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Uk: escândalo das despesas dos deputados

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A opinião é unânime nas ruas de Londres: “Acho lamentável, para ser honesto consigo”;
‘Não acredito em ninguém, para ser honesto. Não sei sequer em quem voto este ano”.

‘Se quebramos estas regras vamos ter de pagar o preço”

A “mãe de todos os parlamentos” andou a navegar em águas turvas na questão das despesas dos deputados.

Os membros do Parlamento reclamam ao desacreditado sistema subsídios para comprar mobília ou para pagar uma segunda casa.
Também há pedidos estranhos de filmes pornográficos, peladores de alho, casas para patos e televisões com ecrã de plasma.

Acusados de desvio de milhões do erário público, todos falharam nesta questão.
O porta-voz Michael Martin demitiu-se e muitos vão, voluntariamente, reembolsar o Parlamento das despesas apresentadas.

“Muitas são as acusações feitas aos membros do parlamento. Muitos inocentes acabam por ser rotulados. E os que foram contactados por terem reclamado excessivamente baseiam-se nas falhas do sistema e protestam inocência.
Mas o estrago está feito.
Winston Churchill disse, um dia, a propósito: o preço da grandeza é a responsabilidade.”

É o conselho que estes quatro políticos deviam ter ouvido antes dos gastos. Apesar de negarem qualquer irregularidade os quatro enfrentam acusações criminais e prováveis penas de prisão.

A jornalista Heather Brooke lutou durante anos para obter a revelação destas despesas dos deputados. Quando os detalhes finalmente apareceram nos Media, no ano passado, houve escândalo público.

‘‘Desta vez, o que foi diferente foi envolvimento, não de um político ou alguns políticos de um partido, foi um grande número de políticos dos três partidos. Foi uma mistura de abusos sérios dos créditos do parlamento para comprar terrenos e casas que nunca foram adquiridos ou não declarar casas para fugir aos impostos. Mas o lado engraçado da coisas, que fez voar a imaginação das pessoas, foi a casa para patos, a limpeza de uma fossa, kit-kats e biscoitos ao lado do lago…para tanto, era apenas preciso misturar excentricidades com o trivial e o sério.”

A norte de Londres, em Lutton, a estrela de televisão e mulher da rádio, Esther Rantzen candidata-se como independente; tem um passado de luta contra a corrupção. E continua a delatar casos como o de Margret Moran que pediu um subsídio de 23 mil para reparar tectos na segunda casa, que fica a 160 km de Londres.

Como muitos deputados, Moran não se candidata desta vez, mas Rantzen diz que as pessoas ainda estão furiosos com o que aconteceu.

‘‘Ainda é uma questão muito viva nestas eleições. Considero aquilo que encontro porta a porta, ou seja, muitas pessoas afirmam não ter formado opinião. Uma das razões é estarem tão horrorizadas com o sistema político que autorizou os políticos a enriquecerem se ter noção do que faziam. Quando os deputados perceberam que eram falhas do sistema e que estavam a ser divulgadas, fizeram tudo para abafar o caso”

Estudos recentes sugerem que nenhum partido vai ganhar a maioria absoluta em 6 de Maio.

Com a primeira assembleia parlamentar de coligação desde 1974 em que medida os recentes escândalos têm importância?

O Professor Paul Whiteley, do Departamento de Governo da Universidade de Essex, elucida:

‘‘Bem, acho que realmente estamos a caminhar para um parlamento dividido, e é muito provável que sejam os democratas liberais a emergir para a coligação nesta eleição. Acho que o escândalo de gastos é um dos factores que vai produzir, muito provavelmente, um parlamento dividido.’‘

“O novo sistema de despesas vai ter efeito imediatamente depois das eleições. Serve, essencialmente para devolver a confiança no parlamento, algo que é impossível conseguir antes de 6 de Maio. Mas fica claro que nada será como dantes”.