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Eleições no Reino Unido: O preço dos liberais democratas de Nick Clegg

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Eleições no Reino Unido: O preço dos liberais democratas de Nick Clegg

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Sem maioria absoluta para nenhum partido, os liberais democratas, e os seus eventuais 61 assentos, tornam-se um aliado apetecível, tanto para o governo cessante dos trabalhistas – que já o afirmou claramente – como para os conservadores, vencedores das eleições.
 
O ‘libdem’ tem assim a possibilidade de impor as suas condições. A começar pela reforma do código eleitoral.
 
Nick Clegg quer introduzir uma dose de proporcionalidade, para que os grupos parlamentares reflictam melhor os resultados de cada um dos partidos.
 
O molde actual – escrutínio maioritário a uma só volta -, para um mesmo resultado, garante duas vezes mais de assentos aos trabalhistas do que aos conservadores e três vezes mais do que aos liberais democratas.
 
Os conservadores são os mais hostis à introdução de uma tal reforma. Os trabalhistas, por seu lado, prometeram um referendo sobre uma reforma mais moderna e uma parte do partido está disposta a ir mais longe.
 
Mas os liberais democratas têm ainda outras prioridades na agenda, para eventuais negociações pós-eleitorais.
 
O ‘libdem’ quer um reforço do orçamento da educação, para proteger melhor os alunos mais desfavorecidos. Um projecto semelhante ao dos conservadores. Quanto aos trabalhistas, defendem que um mecanismo semelhante já existe.
 
Nick Clegg quer também reformar o sistema fiscal, favorecendo as famílias de rendimentos mais modestos graças à supressão dos benefícios fiscais que favorecem actualmente os mais ricos. Durante a campanha, nem trabalhistas nem conservadores defenderam este tipo de reforma.
 
No sector financeiro, os liberais democratas pretendem igualmente dividir os estabelecimentos “demasiado grandes para falirem”. Uma proposta que não convence nem trabalhistas nem conservadores. Ambos querem tomar medidas para evitar uma nova crise financeira, mas não concordam com a visão do ‘libdem’ neste ponto.
 
Os três partidos defendem o prolongamento da presença militar britânica no Afeganistão, um aumento da fiscalidade da banca e o desenvolvimento das energias verdes.
 
Mesmo se nenhum dos dois partidos mais votados conseguir convencer o ‘libdem’, nada impede a formação de um governo minoritário, susceptível de cair a cada voto no Parlamento.
 
Dulce Dias