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Eleições no Reino Unido: Gordon Brown tentará formar um governo de coligação

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Eleições no Reino Unido: Gordon Brown tentará formar um governo de coligação

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Com a contagem dos votos a processar conta-gotas, continuam a manter-se as projecções que dão a vitória aos conservadores, sem maioria absoluta. Com 305 dos 650 assentos, os ‘tories’ chegam, assim, em primeiro lugar, à frente dos trabalhistas, creditados com apenas 255 deputados.

Mas apesar da sede de poder dos conservadores, afastados do número 10 da Downing Street há 13 anos, o cenário não afasta, obrigatoriamente, o ‘labour’ da chefia do governo.

Segundo fontes trabalhistas, se os resultados confirmarem as projecções de um parlamento “suspenso” (isto é, sem maioria), Gordon Brown vai tentar formar um governo de coligação.

Embora não escrita, a constituição britânica estabelece que, caso a oposição não obtenha uma maioria absoluta, o primeiro-ministro cessante tem a possibilidade de se manter no cargo, uma prerrogativa que lhe confere a prioridade nas negociações para formar uma coligação.

Apesar de o porta-voz de Gordon Brown ter afirmado que o chefe do governo ainda não tinha tomado nenhuma decisão sobre eventuais parceiros de coligação, vários ministros trabalhistas evocaram já a possibilidade de uma coligação com os liberais democratas, terceira força política do país.

Os 255 assentos dos trabalhistas com os 61 creditados ao ‘libdem’, de Nick Clegg, dariam à coligação 316 dos 650 assentos da câmara dos comuns, mais do que os 305 creditados a David Cameron e aos conservadores, embora menos do que a maioria absoluta de 326.

Os 29 assentos restantes são repartidos pelas cerca de 20 formações políticas em liça.

A confirmarem-se estes números, esta será a primeira vez, desde 1974, que os britânicos terão um “hung parliament”, um “parlamento suspenso”, sinónimo de ausência de maioria absoluta. Os britânicos não estão, de todo, habituados a governos de coligação.

Quase quatro horas após o fecho das urnas, apenas uma minoria de circunscrições foi escrutinada. É o caso de Belfast-Este, na Irlanda do Norte, onde o primeiro-ministro e chefe do Partido Unionista Democrata, protestante, perdeu o assento no parlamento britânico. Peter Robinson, cuja campanha foi manchada pelos escândalos sexuais da mulher, foi batido Aliança, um partido moderado não confessional, que alcançou 37% dos votos, contra 33% para Robinson. A derrota não põe em causa as funções de Peter Robinson à frente do governo regional.

Os resultados gerais assim como a taxa de participação oficiais destas eleições só serão conhecidos durante esta sexta-feira.

Entretanto, a comissão eleitoral vai fazer uma investigação “exaustiva” sobre o caso de centenas de eleitores que não tiveram tempo de votar, antes das 22h00 (hora de encerramento das urnas), após terem estado nas filas por vezes durante três horas. Segundo um comunicado da Comissão eleitoral, o responsável de cada circunscrição eleitoral deve decidir o número de assembleias e de mesas de voto. Aparentemente, alguns responsáveis terão calculado mal, subestimando o número de eleitores que se dirigiram às urnas.

Dulce Dias