Última hora

Última hora

Bruxelas aliviada com a coligação britânica

Em leitura:

Bruxelas aliviada com a coligação britânica

Tamanho do texto Aa Aa

A nova coligação britânica é boa ou má para a União Europeia? No imediato, em Bruxelas respira-se de alívio. A União espera que as posições pró-europeias dos liberais-democratas permitam neutralizar o eurocepticismo dos conservadores.

Os analistas consideram que David Cameron não vai poder aplicar o programa eleitoral e ceder à ala mais eurocéptica do partido. Durante a campanha, o líder Torie prometeu recuperar de Bruxelas poderes em termos de legislação social e justiça e renegociar as relações com a União.

E foram as questões europeias que estiveram na origem das mais quentes argumentações entre David Cameron e Nick Clegg no segundo debate televisivo. O líder dos liberais-democratas denunciava a escolha de Cameron de abandonar o grupo do Partido Popular Europeu no Euro-Parlamento e aliar-se aos eurocépticos polacos e checos.

No pacto de aliança, a questão foi posta preto no branco: não haverá adesão ao euro nem transferência de poderes para Bruxelas sem um referendo.

Para o analista Marco Incerti, do Centro de Estudos Políticos europeus, é tudo uma questão de prioridades: “Sabemos que os assuntos europeus são os que mais divisões podem provocar. Os dois partidos têm visões diferentes. Vão, provavelmente, colocá-los de lado e focar-se nos assuntos económicos que têm pela frente, com a redução do défice, a reforma do sistema fiscal, a reforma bancária, etc. No acordo de coligação, a União Europeia só vem em nono lugar na lista de prioridades”.

Mas será assim tão fácil? Bruxelas sabe que não.

Dificuldades esperadas também por Derek Vaughan, eurodeputado trabalhista: “Antes da formação da coligação, William Hague, o novo chefe da diplomacia, escreveu um memorando ao novo primeiro-ministro onde apresenta o quanto vão ser eurocépticos, como vão dificultar a acção da União Europeia, como desejam recuperar poderes em certas matérias. Pergunto-me como é que os liberais-democratas vão reagir”.

O novo chefe da diplomacia britânica, William Hague, é um eurocéptico convicto e já marcou o tom. No primeiro dia preferiu falar de cooperação com parceiros europeus, sem usar a expressão União Europeia.