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Europa-Mercosur: Apetite mútuo e medo comercial

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Europa-Mercosur: Apetite mútuo e medo comercial

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A força do Mercosur assusta os europeus. O bloco sul-americano representa, por exemplo, 20% da pecuária mundial. A França, à frente de um grupo de países, considera que a abertura do mercado dos Vinte e Sete significa o fim da agricultura europeia.

Para além do mútuo apetite comercial, os dois blocos não abrem mão do proteccionismo. Mas José Bové, eurodeputado do grupo Os Verdes, diz que os acordos são prejudiciais para os dois lados: “Penso que são acordos perigosos, para os produtores da América Latina e os europeus. Por exemplo, hoje, a indústria agro-alimentar europeia quer exportar de forma massiva o leite para escoar os excedentes. Apenas interessa a indústria agro-alimentar. Ao mesmo tempo vai penalizar, no lado latino, os grandes produtores de leite. Penso no Uruguai, na Argentina e outros”.

O Mercosur produz também 35% da soja do planeta e é um dos maiores exportadores mundiais de milho. Mas este gigantesco mercado emergente interessa também às multinacionais europeias quer de produtos industriais quer dos serviços, como explica José Bové: “Há bastante regateio e as grandes multinacionais dos serviços querem conquistar o mercado sul-americano para poderem desenvolver-se em detrimento da ordenação do território, do futuro dos agricultores e da saúde dos consumidores”.

Nesta guerra, a Europa conseguiu que o Brasil abrisse o seu sector automóvel.

Na retoma das negociações, após um impasse de sete anos, a Europa tem de fazer face a uma mudança dos ventos económicos. O Mercosur faz questão de afirmar o seu dinamismo e exige ser tratado de “igual para igual”, segundo a expressão de Cristina Kirchner, presidente argentina.