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NATO 2020: a nova estratégia

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NATO 2020: a nova estratégia

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A “NATO 2020” foi apresentada a 28 embaixadores da Aliança Atlântica, em Bruxelas. A NATO prepara-se para empreender novos desafios na Europa e no mundo. O documento fornece a nova lista de funções da NATO, de acordo com a comissão que apresentou o novo conceito estratégico, liderado pela secretária de Estado norte-americana, Madeleine Albright, e patrocinado pelo secretário-geral da NATO, Anders Fogh Rasmussen. O documento vai ser oficializado em Lisboa, no próximo Outono, na cimeira especial da NATO. Entretanto, ainda existem algumas questões, como as relações com a Rússia. A Euronews fez o ponto da situação com Rasmussen.

Sergio Cantone, euronews – Anders Fogh Rasmussen, secretário-geral da NATO, bem-vindo à Euronews. O que é este novo conceito estratégico da NATO?

Anders Fogh Rasmussen – O ponto em que o novo relatório dos peritos é que o núcleo de funcionamento da NATO vai continuar idêntico no futuro, como foi no passado, ou seja: defesa territorial das populações e dos Estados membros.

euronews – E aliança militar …

A.F.R. – Aliança de defesa militar, mas um outro aspecto interessante do novo relatório, que o grupo de peritos sublinha, é a necessidade de parcerias com os principais intervenientes na cena internacional, a fim de cumprir a nossa missão militar, precisamos de parcerias fortes com organizações internacionais, mas também com países-chave.

euronews – A operar num cenário global, pelo menos?

A.F.R. – Sim, às vezes operam fora da área, a fim de proteger as nossas populações.

euronews – Tal como no Afeganistão?

A.F.R. – Estamos no Afeganistão para proteger as populações contra o terrorismo e evitar que o Afeganistão se torne novamente num paraíso seguro para terroristas.

euronews – A relação com a Rússia é uma questão importante do conceito estratégico?

A.F.R. – A Rússia é um parceiro importante geográfica e politicamente. O meu objectivo é desenvolver uma verdadeira parceria estratégica com a Rússia. Reconhecemos que há desentendimentos com a Rússia em varias áreas, por exemplo, sobre a Geórgia, devemos insistir no respeito integral da soberania georgiana e pela integridade territorial.

euronews – Não acha que é muito pouco para uma relação estável com a Rússia? Porque a Rússia jamais vai aceitar a Geórgia e a Ucrânia como membros da NATO.

A.F.R. – Sim, mas, não aceitamos a noção de uma esfera de influência especial e essa é também a razão para uma abordagem a duas vias. Por um lado, é preciso aceitar que em determinadas áreas existem desacordos com a Rússia e é preciso manter uma posição firme em princípios básicos. Mas, por outro lado, temos de desenvolver uma cooperação prática em áreas nas quais partilhamos afinidades com a Rússia, como o Afeganistão, a luta contra o terrorismo, a não-proliferação de armas de destruição em massa, o combate à pirataria e, também é preciso acrescentar, a defesa antimíssil”.

euronews – A NATO não está a sofrer a falta de verdadeiro entusiasmo de alguns membros?

A.F.R. – Não acho que a NATO tenha falta de de apoio, pelo contrário, os aliados e parceiros prometeram enviar tropas adicionais para as operações no Afeganistão, o que é realmente uma forte demonstração de compromisso e de solidariedade.

euronews – É um trabalho muito duro conquistar a opinião pública nos países que estão a participar ….

A.F.R. – É, mas ao fim do dia …

euronews – …e, como consequência dos governos.

A.F.R. – … sim, mas ao fim do dia o governo e os países continuam comprometidos e, os parceiros e países que não estão na NATO fazem fila para uma futura adesão.

euronews – Os membros mais antigos da NATO são os menos interessados em investir nas operações no exterior. Talvez os novos membros queiram mostrar boa vontade, mas este não é o caso de outros membros mais antigos. Não acha que esse é um grande problema para a NATO?

A.F.R. – Na verdade acho que a aliança é uma forte demonstração de solidariedade e de encargos partilhados. Um motivo de preocupação, claro, é a distância ao longo do Atlântico entre a América do Norte e a Europa, quando chega a altura de investir na Defesa com uma perspectiva de longo prazo. Esta é uma questão em que temos de investir alguns interesses. Uma parceria sólida entre a UE ea NATO é um ponto muito importante do relatório do grupo. E é também uma das minhas prioridades políticas. Depois da aprovação do novo Tratado de Lisboa , temos de tratar do desenvolvimento da cooperação na Defesa e das dimensões da política de segurança da UE. E também precisamos de uma cooperação reforçada, uma melhor cooperação, uma parceria mais forte entre a NATO ea UE.