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Rehn: "Chegou a hora de completar a união monetária com uma forte união económica".

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Rehn: "Chegou a hora de completar a união monetária com uma forte união económica".

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Como comissário Europeu dos Assuntos Económicos, Olli Rehn tem sido o rosto da luta contra a crise da dívida pública dos Estados-Membros.
Desde que foi nomeado, em Fevereiro, testemunhou o confronto político e económico entre os 27 por causa da crise Grega. Rehn considera que o Pacto de Estabilidade tem de ser revisto e que a Comissão deve ter direito de vigiar, em profundidade, os orçamentos nacionais, como admitiu numa entrevista à Euronews.

Euronews – O que pensa das medidas que alguns países da União Europeia, como a Grécia, Itália ou Espanha, estão a adoptar para enfrentar a crise? Acha que estas medidas podem ser aliadas ao crescimento?

Olli Rehn – Sim, podem. Na verdade são necessárias porque há muitos Estados-Membros da União Europeia que têm uma elevada dívida pública e défices que entravam o desenvolvimento económico.
A curto prazo, podem ter um impacto negativo no crescimento. Por outro lado, estas medidas são necessárias em vários países porque estão a enfrentar níveis elevados de dívida. Além disso, a dívida é a exclusão do investimento privado, necessário para o crescimento económico e a criação de emprego.

Euronews – No que respeita às medidas para uma maior disciplina fiscal e principalmente orçamental, pensa que depois da última sexta-feira podemos dizer que a União Europeia está no caminho certo?

Olli Rehn – Podemos dizer que os Estados-Membros perceberam claramente a importância da consolidação orçamental e a sustentabilidade das finanças públicas. Temos de combinar a consolidação orçamental e a mobilização de crescimento económico através de reformas estruturais.

Euronews – Em relação à governação económica da Zona Euro. Não pagamos os mesmos impostos, mas tomamos as mesmas decisões económicas. Acha que isso é viável para a moeda única?

Olli Rehn – A situação actual não é viável. É altura de reforçar a união monetária com uma união económica forte.

Euronews – Pensa que os Estados-Membros estão preparados para ceder a soberania nacional no que respeita, por exemplo, ao controlo orçamental?

Olli Rehn – Tem havido uma grande mudança entre os Estados-Membros, nomeadamente nas atitudes sobre esta questão. Penso que o reforço da vigilância orçamental preventiva é realmente o cerne da governação económica.
É legítimo esperar que a Comissão, os ministros das Finanças e o Eurogrupo possam avaliar os orçamentos nacionais em termos de enquadramento orçamental e equilíbrio fiscal, antes de estarem finalizados.

Euronews – Estes 750 mil milhões de euros vieram tarde para salvar a casa em chamas?

Olli Rehn – Bem, a política é uma questão de vontade, mas também é a arte do possível e desta vez, mesmo que tenhamos muita vontade, temos de coordenar, ao mesmo tempo, várias posições da União Europeia ou dos Estados-Membros da zona euro.
Podemos avançar rapidamente se houver necessidade, mas isso deve ser acompanhado de consolidação fiscal acelerada pelos países em causa.

Euronews – Será Barack Obama uma espécie de novo presidente da União Europeia? Uma vez que o auxílio aos Estados-Membros só foi decidido depois da intervenção do presidente dos Estados Unidos. Na verdade já fez isso duas vezes.

Olli Rehn – Foi uma coincidência, ter havido várias chamadas telefónicas na mesma altura. Estaríamos a subestimar a inteligência dos Europeus se disséssemos que não nos apercebemos de um incêndio florestal que tínhamos de conter e foi isso que fizemos.

Euronews – Mas a decisão só foi tomada depois da pressão americana.

Olli Rehn – Não houve pressão. Vejo os Estados Unidos como um parceiro e não como alguém que nos está a pressionar.

Euronews – O Pacto de Estabilidades vai ser revisto?

Olli Rehn – Terá de ser reformado e as propostas da Comissão visam o reforço da governação económica e, especialmente, o reforço preventivo e correctivo dos braços do Pacto de Estabilidade e Crescimento.

Euronews – E em relação as sanções que podem ser adoptadas?

Olli Rehn – Penso que é sempre melhor prevenir do que remediar, mas se a prevenção e a correcção precoce falharem, então precisamos de ter instrumentos concretos, incentivos para o cumprimento, como um uso mais amplo das despesas da União Europeia para encorajar os Estados-Membros a dar maior cumprimento ao pacto.