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Jerôme Kerviel começou a ser julgado

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Jerôme Kerviel começou a ser julgado

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O mundo de olhos postos no julgamento de Jérôme Kerviel. Mais de 90 meios de comunicação franceses e estrangeiros estão presentes no Palácio de Justiça de Paris, para assistir às audiências do processo do corretor que fez tremer o sistema bancário.

O arguido não prestou declarações. Foi o seu advogado quem disse esperar que a verdade venha ao de cima.

“A verdade é o que realmente se passou na sala dos mercados e vamos demonstrá-lo durante a audiência e esperamos que a Societé Générale não continue a esconder elementos”.

A Société Générale perdeu 4,9 mil milhões de euros em operações especulativas efectuadas por Jerôme Kerviel. O banco acusa o corretor de ter actuado à revelia da hierarquia, iludindo os controlos com operações ficticias, mentiras e falsas declarações.

Essa será a linha de acusação dos advogados que representam o banco, pequenos accionistas, funcionários e reformados accionistas.

“O senhor Kerviel agiu sozinho, às escondidas da hierarquia, ainda que efectivamente as suas fraudes tenham desencadeados alertas, não foi possível descobri-las mais cedo”.

Mas o caso Kerviel foi muito mais do que uma mega fraude. Foi o primeiro abalo num sistema que viria a mostrar muitas falhas e a dar muitas dores de cabeça.

“O julgamento de Jerôme Kerviel é o julgamento do sistema que funcionou até agora em numerosos bancos e empresas de corretagem onde não se sabe em que medida – para além dos desfalques anunciados pela Société Général da parte do seu corretor – não foram assumidas posições de mercado que podiam ultrapassar as autorizações dadas pelas direcções”.

Jerôme Kerviel, cuja sentença só será conhecida daqui a algumas semanas, admite a manipulação dos dados, mas alega que os seus superiores conheciam as operações.