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Kerviel: "Toda a gente sabia"

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Kerviel: "Toda a gente sabia"

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“Toda a gente sabia” é a linha seguida pela defesa de Jérôme Kerviel, acusado de ter provocado sozinho a perda de 4,9 mil milhões de euros ao banco Société Générale.

Neste primeiro dia de um julgamento muito mediático, o antigo corretor argumentou “numa sala de mercado tudo se sabe, tudo se ouve”. E se especulou de forma exorbitante foi com o apoio de todo o sistema, como explica o advogado, Olivier Metzner: “É normal que a opinião pública saiba, neste período de tão grave crise mundial, que não é um homem que é responsável pelo que se passou. É um sistema. Aquele que está neste tribunal é um peão, um peão que foi utilizado, do qual se serviram e que deitaram fora quando deixou de fazer falta.”

Um argumento negado pela Société Générale que o acusa de uma fraude tão complexa que seriam precisas 40 pessoas durante dois dias para a identificar.

Para analistas como Christian Chavagneux, nenhum responsável poderia ter estado de acordo: “Os ‘traiders’ da Société Générale, como os dos outros bancos, têm uma certa margem de manobra. Podem jogar dentro de um certo limite, podem ultrapassá-lo, desde ganhem. Mas, neste caso, os montantes em jogo eram de tal forma enormes que não imagino um único segundo que os superiores estivessem ao corrente e o deixassem continuar.”

O homem que provocou um prejuízo de quase cinco mil milhões de euros enfrenta uma pena de prisão de cinco anos e uma multa de 375 mil euros. Kerviel tem hoje 33 anos.