Última hora

Última hora

Questões sociais causam fractura entre as regiões belgas

Em leitura:

Questões sociais causam fractura entre as regiões belgas

Tamanho do texto Aa Aa

Estamos em Charleroi, uma das cidades belgas com mais elevada taxa de desemprego, sobretudo entre os mais jovens.

Charleroi fica na Valónia, a região francófona da Bélgica. Aqui, as pessoas nem querem ouvir falar do projecto de alguns políticos flamengos, que defendem a autonomia das regiões em termos de Segurança Social.

Christofer é um dos muitos jovens com más experiências: “Fiz uma formação de segurança depois de seis meses no desemprego, depois fiz um contrato de três meses e depois, como são obrigados a passar-nos para o quadro, propuseram-me trabalhar sem contrato”.

Nesta zona da Bélgica, o desemprego afecta 28% da população activa. A taxa de desemprego da Valónia é de 15,9% e da região de Bruxelas é de 11,2%, valores muito mais altos que os da Flandres, mais rica, com uma taxa de apenas 5%.

“Quando os políticos flamengos pedem maior autonomia a este nível, e eu penso que são os políticos e não o povo em geral, essa é uma visão a curto prazo, porque há vários elementos que é preciso ter em conta, por exemplo a população da Flandres envelhece muito mais depressa e por isso vai haver muito mais pensões para pagar”, explica Antoine Thioux, responsável de um centro de emprego para jovens.

An Meert vive em Lebbeke, na Flandres. Aqui, o desemprego afecta sobretudo as pessoas com mais de 52 anos. Está desempregada há dois anos, já mandou currículos para mais de mil empresas mas ainda não conseguiu nada.

Para An, a autonomia das regiões em termos de swegurança social seria positiva para os desempregados flamengos como ela: “Seria uma boa ideia, mas é difícil de pôr em prática. Por outro lado, penso que devem dar mais estabilidade às pessoas desempregadas mais velhas, ajudando-as a procurar emprego, ou obrigando as empresas a contratar seniores, como fizeram com os deficientes”.

Estas questões em volta das políticas sociais são indissociáveis de todos os conflitos comunitários que opõem as regiões onde se fala francês e holandês.

Diz Philippe Ledent, analista no banco ING:“A ideia é que, a partir do momento em que há uma fiscalidade diferente de região para região, passa a haver uma concorrência e, a partir do momento em que uma região tem mais actividade e mais capacidade de baixar os impostos, passa a haver um risco, porque deixa de se pagar pela solidariedade. Mesmo isso sendo um erro, ao deixar de se pagar pela solidariedade, ganha-se capacidade para baixar os impostos”.

A Segurança Social vem assim juntar-se a um debate velho como a própria Bélgica. Um conflito entre as regiões e as comunidades linguísticas que ameaça a unidade nacional.