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Aplicações móveis e smartphones universais

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Aplicações móveis e smartphones universais

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Distribuir informação em tempo real em locais repletos de gente, como o metro de paris, ou conectar smartphones sem se preocupar com compatibilidade é agora possível graças a uma nova tecnologia baseada no conceito de adaptação.
É um sistema que permite a reconfiguração automática dos aparelhos sem que o utilizador realize complexas configurações.

Chama-se MUSIC, acrónimo de Utilizadores Móveis em Computorização Ubíqua, e é um projecto de pesquisa Europeu com o objectivo de promover o desenvolvimento de uma nova geração de aplicações móveis e serviços para lá dos obstáculos colocados pelos diferentes “sistemas operativos”.

O MUSIC foi elaborado através da parceria de 14 instituições europeias e não europeias e funciona como middleware, um software agregador que faz correr diferentes aplicações em qualquer Sistema Operativo que utilize a tecnologia Java.

O MUSIC potencia o desenvolvimento de vários serviços e aplicações. Desde a partilha de recursos e conteúdos numa rede local ou a assistência a pessoas com mobilidade reduzida até à consulta de informações de interesse turístico. Vejamos então com detalhe algumas destas aplicações.

O PRM é uma aplicação destinada a auxiliar pessoas com mobilidade reduzida nas redes de transportes públicos, ajudando-as a evitar passagens difíceis, sugerindo o melhor percurso. Esta aplicação também pode fornecer assistência remota em tempo real.

“Estamos a concentrar-nos numa área chamada Computorização de Noção Contextual que nos vai permitir saber o perfil social de cada passageiro ou a rapidez de conexão de cada um, por exemplo. Posso carregar numa estação, ver o perfil do passageiro, se é idoso ou não, ver o tipo de conexão e posso mesmo enviar uma mensagem”, refere Hossein Rahnama, investigador da Universidade canadiana de Ryerson.

Igualmente no contexto urbano, existe outra aplicação. O Assistente de Viagem Turística é um sistema que elabora rotas turísticas racionais processando os dados de geolocalização do aparelho. Além de sugerir locais de interesse, o programa pode fornecer informações como o tempo de espera para assistir um evento, o caminho para comprar bilhetes e muito mais.

“A plataforma Music permite que várias aplicações no telemóvel possam interagir. Por exemplo, o assistente de viagens, destinado a ajudar os turistas a alcançar o seu destino. Através de um itinerário pode interagir com outro tipo de aplicações que façam a gestão de acontecimentos como: há uma pessoa com problemas, existem atrasos ou uma linha está cortada”, engenheiro de telecomunicações da Telefónica.

Quando começou em Outubro de 2006, o projecto MUSIC tinha objectivos ambiciosos. Nessa altura, era algo visionário pois o desenvolvimento computacional dos aparelhos móveis era ainda bastante reduzido e alguns dos produtos que hoje são muito populares não existiam.

O desafio foi o de gerir sistemas com uma complexidade crescente reduzindo ao mesmo tempo a instabilidade, como explica Geir Horn, coordenador da pesquisa. “Quando começámos com o projecto ninguém ainda tinha ouvido falar no Iphone ou no Android. Estes smartphones apenas existiam na nossa imaginação porque utilizávamos telefones e outros dispositivos inteligentes que gostaríamos de colocar no bolso. A chave para o desenvolvimento computacional é a adaptação. Isto porque os sistemas são cada vez mais complexos e enormes o que torna impossível um programa ou um grupo de programas ter a perspectiva do sistema. Por isso, inevitavelmente haverá erros na codificação do sistema e o sistema deve ser capaz de se adaptar para ultrapassar esses problemas em vez de se ir abaixo, como acontece muito hoje em dia”, , garante Geir Horn, coordenador do projecto MUSIC.

Para sabermos onde e como o projecto foi iniciado, viajámos até Trondheim na Noruega. Fundada em 997 pelo rei viking Olaf, é agora a terceira maior cidade e local de muitos institutos académicos de ciência e tecnologia e inúmeras fundações privadas.

Foi nos arredores de Trondheim que o programa foi coordenado e com uma opção inicial: desenvolver um software que pudesse ser modificado livremente. Svein Hallesteinsen, investigador sénior, explica porque decidiram trabalhar num ambiente de código aberto. “Ao adoptarmos o código aberto tivemos a possibilidade de criar comunidades que sustentam o desenvolvimento da tecnologia após o final do projecto”, refere.

Em Trondheim pudemos descobrir o MUSIC nalguns transportes públicos, por exemplo, o Social Imediato, uma aplicação que permite aos passageiros entrarem numa sala de conversação com possibilidade de partilha de conteúdos.

“A nossa tecnologia, o MUSIC, usa um serviço particular de detecção de protocolos chamado SLP, de forma a que as aplicações a funcionarem num dispositivo possam detectar e comunicar com aplicações noutros dispositivos. E usámos isto para criar grupos de pessoas ligadas se estiverem interessadas no mesmo tema. Posso iniciar a minha aplicação no meu dispositivo e criar um grupo para que, quando uma pessoa entrar no autocarro e fizer correr o programa, ela tenha o meu grupo disponível”, refere Svein Hallesteinsen.

A plataforma estabelecida automaticamente pode criar uma rede com todos os dispositivos móveis e operar sem recurso a um servidor central. Liga os utilizadores num modo de “peer-to-peer”.

Em breve o MUSIC prepara-se para fornecer uma plataforma sólida aos programadores. As aplicações do futuro vão aumentar o fluxo de informação para o individuos dando funções práticas num vasto leque de actividades aos smartphones.

Em Trondheim pudemos descobrir o MUSIC nalguns transportes públicos, por exemplo, o Social Imediato, uma aplicação que permite aos passageiros entrarem numa sala de conversação com possibilidade de partilha de conteúdos.

“A nossa tecnologia, o MUSIC, usa um serviço particular de detecção de protocolos chamado SLP, para que as aplicações a funcionarem num dispositivo possam detectar e comunicar com aplicações noutros dispositivos. E usámos isto para criar grupos de pessoas ligadas se estiverem interessadas no mesmo tema. Posso iniciar a minha aplicação no meu dispositivo e criar um grupo para que, quando uma pessoa entrar no autocarro e faça correr o programa, ela tenha o meu grupo disponível”, diz Svein Hallesteinsen.

A plataforma estabelecida automaticamente pode criar uma rede com todos os dispositivos móveis e operar sem recurso a um servidor central. Liga os utilizadores num modo de “peer-to-peer”.

Em breve o MUSIC prepara-se para fornecer uma plataforma sólida aos programadores. As aplicações do futuro vão aumentar o fluxo de informação para o indivíduo dando funções práticas num vasto leque de actividades aos smartphones

“Agora, o próximo passo é tentar usá-lo noutro tipo de aplicação, com um relacionado com aplicações bancárias. Estamos também a trabalhar em casas inteligentes, para que a habitação possa adaptar-se aos nossos desejos, necessidades e preferências”, garante Geir Horn.

Ao abrir caminho para uma tecnologia dinâmica e adaptável, o MUSIC tem boas hipóteses de se tornar muito em breve numa das principais plataformas informáticas do dia-a-dia.

http://www.ist-music.eu