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Milhares de pessoas fogem do Quirguizstão

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Milhares de pessoas fogem do Quirguizstão

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Imagens recolhidas por um vídeo-amador, no sábado, 12 de Junho, em Yurkishlak, na fronteira entre o Quirguizstão e o Uzbekistão, mostram milhares de pessoas em fuga.

Na sua maioria, são mulheres, com crianças muito novas, algumas ainda bebés, levadas por guardas fronteiriços uzbeks.

Estes refugiados são cidadãos kirgyzs, da minoria uzbek. Tentam escapar à violência étnica que devastou o bairro uzbek de Osh, a grande cidade do Sul do Quirguistão.

Dos seus 5,5 milhões de habitantes, 15 por cento pertencem à minoria uzbek, que se concentra junto à fronteira sul.

Em Osh, as casas dos uzbeks foram incendiadas, a 10 de Junho, por grupo de homens embuçados. Atiravam sobre as pessoas que tentavam fugir.

As propriedades assinaladas com a palavra “Kyrgyz” foram poupadas.

Uma mulher uzbek e as suas crianças aterrorizadas, confessam não compreender nada do que se passou:

“Estamos de partida, abandonámos as nossas casas, porque eles queimaram-nas. Bateram em mulheres e mataram os homens. Porque será isto? Todos temos necessidade de paz. Nós gostávamos de ficar aqui, porque nascemos aqui”

O governo acusou os partidários do deposto presidente Bakiyev de estarem por detrás destes actos. Seria uma represália, pelo apoio dos uzbeks ao novo poder existente em Bishkek.

O analista, Shairbek Juraev, sem contestar esta tese, diz que é necessário ver os acontecimentos, com mais profundidade.

“Estas acções repugnantes, de carácter étnico, talvez sejam muito importantes, para intimidar a população. Mas, entretanto, ignoram o carácter interétnico. E responsabilizar Bakiyev não serve as finalidades de longo prazo, nem revolve qualquer problema”.

As rivalidades entre uzbeks e kyrgyzs jogam-se aqui, no Vale de Fergana, densamente povoado, e importante centro de produção de algodão e seda. Faz parte do distrito de Osh.

O Vale de Fergana é de origem uzbek. Foi objecto de uma divisão arbitrária, que data da época de Stalin, entre o Uzbekistão, Quirguizstão e o Tajikistão.

A estas tensões interétnicas associaram-se os movimentos islamistas radicais, incluindo o Hizb ut-Tahrir e outros ligados a Al Qaeda.

Dizem que têm oito mil membros, no Quirguizstão.