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Primeiro Nobel em língua Portuguesa

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Primeiro Nobel em língua Portuguesa

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Saramago foi uma das maiores personalidades da literatura portuguesa, do final do século XX ao princípio do Século XXI. Prémio Nobel da Literatura em 1998, as suas obras são muitas vezes provocantes e nem sempre bem recebidas por alguns sectores da sociedade portuguesa. De resto, o encontro e o casamento com a jornalista espanhola Pilar del Rio fá-lo decidir abandonar Portugal para uma espécie de exílio literário nas Ilhas Canárias no princípio dos anos 90. Mas o seu activismo e as suas tomadas de posição transformam-no numa espécie de consciência moral, escutada pelo mundo inteiro.

José de Souza Saramago nasceu em 1922, em Azinhaga, no Ribatejo, no seio de uma família pobre. É o primeiro Saramago da família, uma vez que ao seu nome foi acrescentado a alcunha pela qual a família era conhecida. Os Souza mudam-se para Lisboa quando o pequeno José tinha apenas dois anos. Muitas vezes, o escritor evocou os seus avós, agricultores, e um bisavô de origem berbere, todos analfabetos.

Autodidacta, exerceu muitas profissões antes de decidir viver da escrita. Trabalhou 12 anos em editoras e também em vários jornais. Foi em 1947 que publicou o primeiro romance: “Terra de Pecado”. O segundo livro, uma novela chamada “Clarabóia”, foi-lhe recusado. 40 anos depois as editoras pediam-no, Saramago decidiu não o publicar.

Após a Revolução de 1974, José Saramago, membro do Partido Comunista Português desde 1969, foi nomeado director-adjunto do Diário de Notícias, cargo que vem a perder em Novembro de 1975. Até 1980 vive dos seus trabalhos de tradutor e é só aos 58 anos que se dedica verdadeiramente à literatura com o romance “Levantado do Chão”, publicado em 1976. Mas é o “Memorial do Convento” que em 1982 lhe traz o sucesso internacional.

Dez anos mais tarde, “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” cria grande polémica em Portugal. Sousa Lara impede a candidatura da obra ao Prémio Europeu da Literatura. Em 1995, o escritor recebe o Prémio Camões, maior galardão da literatura portuguesa. A Câmara de Lisboa honra-o também com a medalha da cidade.

José Saramago foi sempre um grande crítico da forma como a União Europeia vem a ser construída. Por isso se apresentou como candidato na lista do Partido Comunista Português para as eleições europeias de 2004.