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Vlad Filat: "Está próximo o dia em que a Moldávia vai poder juntar-se à União Europeia"

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Vlad Filat: "Está próximo o dia em que a Moldávia vai poder juntar-se à União Europeia"

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País inicialmente integrado na Roménia, a Moldávia passou para a URSS no fim da Segunda Guerra Mundial.

Independente em 1991, as tropas russas mantiveram-se na margem leste do rio Dniestre, apoiando a população, de maioria russa e ucraniana, que proclamou unilateralmente uma nova república – a Transnístria.

A Moldávia é um dos países mais pobres da Europa. No Outono de 2009, Vlad Filat tornou-se primeiro-ministro, à frente de um governo pró-ocidental, mas o parlamento não conseguiu eleger um novo Presidente da República.

No Luxemburgo, a euronews encontrou o primeiro-ministro, falou sobre as próximas eleições, sobre o problema da Transnístria e sobre a integração na Europa, uma prioridade absoluta para o governo.

Rudolf Herbert, euronews: Sr. Primeiro-ministro, aqui do Luxemburgo, como vê o seu país, a República da Moldávia?

Vlad Filat: Visto daqui, é diferente, mas isso não quer dizer que não tenhamos que fazer progressos importantes em Chisinau.

Digo que daqui é diferente, porque daqui vê-se os problemas do meu país, os problemas por que passam os cidadãos, vemos todos os detalhes, se quiser.

Ao mesmo tempo, daqui do Luxemburgo, vejo que a República da Moldávia tem uma perspectiva europeia muito clara, graças ao apoio constante que recebemos dos parceiros europeus.

Rudolf Herbert, euronews: A Moldávia foi afectada pela crise financeira? Ainda está a sentir os efeitos?

Vlad Filat: Foi afectada directamente pela crise financeira. Mas devo dizer que o país foi afectado mais pela falta de medidas que são normalmente postas em marcha durante uma crise. E isso foi culpa do anterior governo.

Rudolf Herbert, euronews: Um dos temas discutidos em Bruxelas foi o da Transnístria. Acha possível resolver esse problema?

Vlad Filat: A República da Moldávia, juntamente com os parceiros, participa num processo de negociações, um processo que não é, de todo, simples.

Mas o objectivo é que haja uma resolução sólida e definitiva deste conflito. Não é só o meu país que está a ser afectado, é toda a região e, sinceramente, a comunidade europeia também.

Estou contente com o progresso nas negociações, o progresso que fizemos para encontrar uma solução. Queria lembrar que as autoridades europeias envolveram-se como nunca antes tinham feito. Um dos exemplos é o memorando assinado pela chanceler alemã e pelo presidente russo.

Rudolf Herbert, euronews: O que significa esse memorando?

Vlad Filat: Significa um maior envolvimento neste processo por parte das autoridades europeias na busca de uma solução para o conflito na Transnístria, protegendo, ao mesmo tempo, a soberania e a independência da Moldávia. Significa que este problema foi levado ao mais alto nível, até aos principais protagonistas. Não só dos países da região, como da Comunidade Europeia.

Rudolf Herbert, euronews: O conflito poderia ser resolvido com a retirada das tropas russas?

Vlad Filat: Seria demasiado simples ver o problema dessa forma. Com certeza que a retirada das tropas e do armamento russo é algo com o qual a Federação Russa tem de se comprometer, mas é apenas uma das medidas que precisam de ser tomadas.

Rudolf Herbert, euronews: Qual é a posição da Rússia em relação a este conflito, que dura há já mais de duas décadas?

Vlad Filat: Se olharmos para as últimas decisões e actos da Federação Russa, temos de concordar que Moscovo quer ser uma das partes implicadas em resolver o conflito na Transnístria.

Rudolf Herbert, euronews: Como descreve as relações entre a Moldávia e a Rússia?

Vlad Filat: Desde o início, desde que começámos o nosso mandato, começámos a construir uma relação pragmática, baseada em interesses mútuos, em nome da República da Moldávia. Continuamos nessa direcção. As reuniões que tive até agora com o primeiro-ministro Vladimir Putin, nas quais participaram os meus colegas do governo, provaram que estamos a fazer bem.

Rudolf Herbert, euronews: Que diz do referendo agendado para Setembro?

Vlad Filat: A crise constitucional no nosso país não é um segredo. Esta crise deixa a República da Moldávia num estado de incerteza que é embaraçoso. Tentámos identificar soluções para ultrapassar esta crise, através de consultas internas e com a ajuda dos nossos parceiros europeus. Finalmente, encontrámos uma solução que, do meu ponto de vista, funciona. Não há outra solução para este problema. Por isso, estamos a planear um referendo para Setembro, que vai permitir rever a constituição e fazer com que o presidente seja eleito por sufrágio universal. Em meados de Novembro, vai haver eleições legislativas antecipadas e eleições presidenciais.

Rudolf Herbert, euronews: Vai candidatar-se a presidente?

Vlad Filat: Essa é uma decisão que vai ser tomada na altura própria. De qualquer forma, o meu partido é que deve decidir, de acordo com a situação dessa altura.

Rudolf Herbert, euronews: Vai dizer-nos alguma coisa sobre o importante acordo que foi, ou vai ser assinado com a União Europeia?

Vlad Filat: Se tivesse que escolher uma das decisões tomadas até agora, seria, com certeza, a de hoje. A de começar os preparativos para liberalizar o sistema de vistos. A nossa sociedade merece que o resultado tenha sucesso.

Rudolf Herbert, euronews: Há uma altura em que pensa que a Moldávia pode tornar-se Estado-membro da União Europeia?

Vlad Filat: Há, e essa data está próxima. Mas prefiro não falar disso. Só posso enfatizar o que já disse: esse timing está directamente ligado à forma como agimos na República da Moldávia.

Rudolf Herbert, euronews: Como são as relações com os vizinhos da Roménia?

Vlad Filat: É mais do que um pais vizinho, a Roménia é mais que um Estado vizinho. Temos relações normais. Boas relações. Os bons resultados para os habitantes das duas margens do rio Prut, que separa os dois países, são evidentes. Mostrámos que, com esta abordagem, de uma Europa moderna, conseguimos melhores resultados que através da explosão dos sentimentos e das emoções, que é algo que vem do passado.