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Eleições presidenciais: A Polónia na cena internacional

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Eleições presidenciais: A Polónia na cena internacional

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A 10 de Abril, o drama de Smolensk matou 97 pessoas, entre elas, o presidente. A Europa interroga-se sobre qual será o peso desta tragédia nas eleições de 20 de Junho. Os polacos acabam por ir às urnas alguns meses antes do previsto. Há dez candidatos, mas a corrida foi dominada por dois: Bronislaw Komorowski, candidato da Plataforma Cívica, é pró-europeu e era favorito antes do drama; face a ele está Jaroslaw Kaczynski, o irmão gémeo do presidente defunto, candidato do Partido Lei e Justiça, nacionalista e eurocéptico cujo slogan é “A Polónia é mais importante”.

O drama permitiu aproximar a Polónia e a Rússia, antes inimigas. Reforçar os laços com o Leste tornou-se precisamente um dos objectivos da presidência polaca da UE, no segundo semestre de 2011.

Segundo o analista Andrew Nagorski, do Instituto Leste/Oeste, “os polacos sentem a necessidade de estabilizar as relações com o Leste, em especial com a Rússia, e conduzi-la para um diálogo regular com a União Europeia e com a NATO”.

Mas há um obstáculo na reaproximação russo-polaca: os mísseis Patriot instalados pelos Estados Unidos na Polónia.

Varsóvia tenta conciliar a sua tendência pró-americana com as exigências da sua participação na NATO e na União Europeia, como explica Jan Tombinski, representante permanente da Polónia na UE: “A União Europeia responde aos nossos desafios do futuro, enquanto a NATO diz respeito aos medos do passado. São os dois lados da nossa participação naquelas que são as instituições do mundo ocidental”.

Já Radoslaw Sikorski, ministro polaco dos Negócios Estrangeiros, afirma: “Penso que as circunstâncias mudaram. Os Estados Unidos já não se sentem ameaçados por uma identidade europeia de defesa. Pelo contrário, gostariam que a Europa fosse capaz de partilhar o fardo”.

A identidade europeia passa também pela adesão ao euro. A Polónia acabou por adiar essa perspectiva para lá de 2012, devido não só à crise da moeda única que esmoreceu os ânimos, mas também por causa do seu próprio défice e da dívida pública.

Jan Tombinski explica: “Há dois anos comprometemo-nos a apresentar datas, mas hoje preferimos esperar um pouco. Esperar um pouco para ver se a zona euro volta a ganhar confiança nela própria e para conseguirmos respeitar os critérios para aderir. Penso que, hoje, a zona euro não está pronta para nos acolher”.

O posicionamento da Polónia na Europa vai depender dos resultados das eleições presidenciais, já que o chefe de Estado polaco tem direito de veto e poder de controlo sobre a política externa e a segurança.