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Komorowski-Kaczynski: A segunda volta das presidenciais polacas

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Komorowski-Kaczynski: A segunda volta das presidenciais polacas

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Bronislaw Komorowski e Jaroslaw Kaczynski: as duas visões da Polónia voltam a confrontar-se a 4 de Julho na segunda volta das presidenciais. Este domingo, ficaram separados por cinco por cento dos votos.

O candidato liberal conseguiu 41,2% dos votos. O conservador obteve 36,7 por cento. A grande surpresa foi o social-democrata Grzegorz Napieralski, com quase 14% dos votos.

O eleitorado da esquerda vai ser determinante. Segundo as sondagens, a maioria prefere Bronislaw Komorowski, mas o candidato da Plataforma Cívica sofre com a falta de carisma.

Pawel Swieboda, membro de um grupo de pressão, explica: “É um resultado surpreendente. Todos esperavam um melhor resultado de Komorowski, presidente do Parlamento. É o favorito da campanha mas também um candidato pouco espectacular. Defende a estabilidade, a previsibilidade, a consolidação mas a sua campanha não faz faísca”.

Um discurso moderado e a onda de simpatia após a morte do irmão foram os dois elementos cruciais para o resultado de Jaroslaw Kaczynski, um eurocéptico que se opõe à moeda única. Mas será que o candidato conservador vai manter a imagem de moderado?

Pawel Swieboda responde: “Jaroslaw Kaczynski não foi autêntico na primeira volta. Tentou apresentar-se como um político moderado. Penso que vai deixar cair a máscara e que iremos assistir a uma luta mais feroz dos dois candidatos na segunda volta”.

Liberais e conservadores começaram já a cortejar o eleitorado de Grzegorz Napielralski. O social-democrata foi a grande surpresa e ainda não disse qual dos dois candidatos vai apoiar.

Piotr Kaczynski, analista Centro europeu de Estudos Políticos, considera que “o problema com o resultado da votação é o de saber quantos eleitores da esquerda vão votar em Bronislaw Komorownski, mas em termos de percepção pública da política não houve grandes mudanças. Os polacos continuam a ser conservadores em muitos temas controversos, com excepção, talvez, para a legalização da fertilização in vitro”.

A legalização e financiamento público da fertilização in vitro e adopção da Carta europeia dos Direitos Fundamentais, cuja derrogação foi obtida pelos gémeos Kaczynski, poderão ser os compromissos que a esquerda vai exigir em troca do voto do seu eleitorado. Uma escolha difícil num país que tenta vencer o luto por Lech Kacznyski.