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Connie Hedegaard: A UE ainda lidera

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Connie Hedegaard: A UE ainda lidera

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Num contexto de difíceis negociações quisemos saber qual é a posição de Bruxelas. Há seis meses, a comissária europeia para a Acção Climática, Connie Hedegaard, presidia à conferência da ONU para as Mudanças Climáticas em Copenhaga.

Sergio Cantone, euronews: Senhora Comissária, a União Europeia é respeitada a nível mundial quando se trata de ambiente e mudanças climáticas?

Connie Hedegaard, comissária europeia para a Acção Climática: Claro que sim. Pode perguntar aos representantes de qualquer país. Se pensarem numa região que está realmente a aplicar medidas na vida real, eles pensam na Europa, porque sabem que nós não estamos apenas a enviar uma mensagem, nós estamos a aplicá-la.

euronews: Mas os resultados de Copenhaga foram decepcionantes e em Bona foi de novo um fracasso. O que está a acontecer?

C. Hedegaard: É verdade que não conseguimos atingir tudo o que pretendíamos em Copenhaga. Mas devo dizer, sem hesitação, que a União Europeia tem o mérito de ter colocado as mudanças climáticas no topo da agenda, mesmo durante um ano de crise como 2009.

Não sei porque é que é sempre mais fácil apontar o dedo a quem faz o maior esforço – “porque é que eles não fazem ainda mais?”. Mas, penso que se perguntar a muitos países em desenvolvimento eles dirão: “Sim, sabemos” que, na realidade, a Europa não ratificou apenas o Protocolo de Quioto, ela comprometeu-se, aplica os compromissos e é a região que, até agora, fixou os objectivos mais ambiciosos para 2020.

euronews: Eles não seguiram a União Europeia sobre os três 20….

C. Hedegaard: Discordo. Se tívessemos realizado esta entrevista há 12 meses, a Europa estaria mais ou menos sozinha no Mundo, com algumas excepções, no que diz respeito aos objectivos para 2020. Mas no percurso para Copenhaga, no ano passado, o Brasil fixou objectivos, tal como a Índia, a África do Sul, a China, a Indonésia, a Coreia, o México….o Japão reforçou, significativamente, os seus objectivos. A Rússia também e assim sucessivamente. Isto para dizer que nós não fixamos os nossos objectivos em vão.

Seguiram-se muitas coisas, não tanto como eu gostaria, mas, em relação há 12 meses, progredimos imenso.

euronews: Será que os esforços da sociedade civil podem ser mais eficazes que as acções governamentais?

C. Hedegaard: Vimos que, no período que precedeu Copenhaga, houve uma larga mobilização civil. Isso permitiu aumentar a pressão política e foi importante. Mas, penso que agora é preciso que as pessoas façam coisas nas cidades, nas empresas, no mundo dos negócios. Ainda há muitas coisas a fazer, não só por causa das negociações internacionais sobre o clima mas também porque beneficia os próprios interesses da União Europeia.