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São Petersburgo: a cidade que não dorme

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São Petersburgo: a cidade que não dorme

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São Petersburgo é uma metrópole de beleza rara. É a cidade das Noites Brancas quando, ao entardecer, os seus edifícios continuam iluminados, durante horas e horas, pela luz solar… é no período estival, que a cidade banhada pelo Neva nunca dorme.

Durante as Noites Brancas escurece apenas duas horas o resto do tempo é dia. Depois de oito meses de Inverno longo é como se São Petersburgo tentasse compensar isso. O solstício de verão transforma-se numa festa que não esquece a cultura.

No período do Sol da meia-noite, o Teatro Mariinsky e o Concert Hall são palco de um grande evento cultural: O Festival da Estrela das Noites Brancas – ópera, ballet e concertos – com artistas famosos russos e estrangeiros. São convidados de Valéry Gerghiev, maestro mundialmente conhecido e director artístico e geral do teatro. Que gere, segundo dizem, com mão de ferro.

Para os músicos, um gesto do maestro é suficiente.
Valery Gerghiev explica que, durante um concerto não se pode falar. “Mover apenas as mãos não significa muito. É preciso inflamar, dar ênfase, é preciso dar determinada intensidade a certas secções da orquestra ou a toda a orquestra e tem que se expressar isso… As pessoas sabem ler as expressões do condutor, os seus olhos… às vezes é um pouco selvagem, às vezes é difícil de descrever, mas a música, às vezes, também é selvagem”, acrescenta o maestro que vai ainda dizendo “não é preciso falar, é possível consegui-lo, há uma série de formas de se expressar e as pessoas entendem.”

Gerghiev é considerado uma espécie de arqueólogo musical que foi capaz de redescobrir compositores esquecidos durante a era soviética e trazer prestígio à tradição russa, sem pôr de lado os seus contemporâneos ou o repertório alemão e francês.

Os seus admiradores dizem que ele vive a música,
ele fala no poder da imaginação, numa fantasia que cria e o leva a um certo nível, “e então oferece-se algo à orquestra e a orquestra tem que se interessar, porque não há nada mais perigoso para o mundo da música clássica que uma personalidade enfadonha”, explica.

Mas as emoções de um condutor são também importantes. “Pode parecer engraçado ouvir um maestro dizer “quase chorei”, mas às vezes estamos muito perto das lágrimas, só não sei como escondê-las da orquestra… acontece… o poder da música pode tocar mesmo um maestro”, desabafa Gerghiev.

Entretanto, lá fora, na cidade mágica de Pedro o Grande, entre o Leste e o Oeste, a festa continua nas margens do rio Neva.

As peças ouvidas são: Sinfonia 3 em mi bemol maior, Opus 20 e Sinfonia 13, “Babi Yar” em si bemol menor, Opus 113, de Dmitri Shostakovich.