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A Voz domina Festival de Jazz de Vienne

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A Voz domina Festival de Jazz de Vienne

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O Festival de Jazz de Vienne, o mais importante do género em França, celebra o seu trigésimo aniversário com uma programação bastante ecléctica. Jazz, Blues, Gospel, Rock e música cubana, são as melodias que vão passar pelo antigo Teatro Romano da cidade, a 30 km de Lyon.

Na edição de de 2010 a primazia é dada à beleza da voz, como confirma o director do festiva, Jean-Paul Boutellier: “A temática deste ano é o talento vocal e isso está muito presente, tanto nos artistas masculinos como nos femininos.

A voz representa aqui a verdadeira arte negra americana. Isto é o que África deixou pois as vozes são muito específicas. Não cantamos jazz ou outras músicas como o rock&roll como cantamos a música Clássica.”

Acompanhada pelo pianista Raphael Lemmonier, China Moses prestou homenagem à cantora americana, Dinah Washington. Apelidada como a “Rainha dos Blues”, esta lenda dos anos 50 extasiou o público dos guetos com as suas letras de duplos sentidos.

Dinah Washington continua praticamente desconhecida na Europa, como evidencia China Moses: “Ela não é muito conhecida da Europa ou na Ásia pois ela nunca fez uma digressão pela Europa. Ela morreu cedo, aos 39 anos… é a voz dela, a sua maneira tão própria dos blues, a entoação gospel enquanto cantava. Como era muito extravagante, era louca, ela era Rock&roll, ela nunca se quis integrar. Ela nunca o fez.”

Filha da cantora americana Dee Dee Bridgewater, China Moses cresceu com a música. Editou o primeiro trabalho em 1996 e o último em 2009, intitulado “This one For Dinah”

A viver em França, além de cantora, China Moses é autora, compositora, produtora e apresentadora de televisão.

“A minha mãe ensinou-me a nunca deixar ninguém chamar-me cantora de jazz porque ficas conotada apenas por isso e já não podes sair. Mas não. A primeira coisa que a minha mãe me ensinou sobre música foi que tens de ter respeito pelos teus músicos e depois ela disse-me: podes ter grande capacidade de improviso mas canta primeiro a letra,” relembra a cantora.

Por sua vez, Dee Dee Bridgewater homenageou uma outra diva do jazz dos anos 50: Billie Holiday. A sua voz característica, a sua vida trágica, a sua força de carácter, sempre impressionaram Dee Dee. A cantora encarnou já a personagem de “Lady Day”, em 1986.

“Ela viveu numa época muito difícil nos Estados Unidos. Na altura havia muita segregação. Eu quis que as pessoas conhecessem um outro lado dela para compreenderem que ela foi uma mulher por inteiro e não apenas esta figura trágica e sofredora em que se tornou. Ela é, talvez, a cantora de jazz mais influente de todos os tempos,” afirma.

Dee Dee Bridgewater e China Moses percorrem a Europa este verão, em digressão, promovendo os seus últimos trabalhos.

O festival de Jazz de Vienne continua até dia 9 de Julho. Antes, dia 6, actua o brasileiro Carlinhos Brown.