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Dance Factory: Das ruas para os palcos

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Dance Factory: Das ruas para os palcos

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Começaram por dançar nas ruas de Joanesburgo mas agora, estas crianças apresentam-se nos palcos como bailarinos de balé. Pertencem a um selecto grupo de alunos da Dance Factory. Uma escola de dança em Newtown, o centro cultural de Joanesburgo.

“A Dance Factory é essencialmente um espaço para apresentações de dança e é talvez o único local dedicado à dança, na África do Sul.
Estamos também envolvidos na formação. Concentramo-nos em pegar em pessoas muito jovens e ajudamos os mais talentosos a seguiram uma carreira,” garante a directora executiva Suzette le Sueur.

Uma vez por ano são abertas audições. As turmas de balé clássico e de dança contemporânea são criadas de acordo com as necessidades dos alunos. As aulas são gratuitas mas as regras são bastante rigorosas. Se eles não fizerem progressos ou faltarem às aulas, têm de deixar a escola.

Um dos alunos, Tsepo Zasekhaya, recorda como entrou para a escola. “Comecei a dançar na Dance Factory, há 12 anos. Entrei na escola com cinco, na altura dançava num grupo chamado “Crianças da Nação Arco-íris”, de Alexandra. Começaram a ter aulas aqui e eu juntei-me a eles.. Foi aqui que experimentei o mundo da dança pois tudo começou aqui. Foi onde conheci as pessoas com quem trabalhei. Por isso abriu-me realmente as portas.”

As aulas são administradas por professores e coreógrafos profissionais, locais e internacionais, ligados ao mundo da dança na actualidade. A estrela da escola é Dada Masilo. Esta jovem de 25 anos é bailarina residente na Dance Factory.

“Comecei a dançar aos 11 onze anos. De início estive num grupo feminino chamados “Pacificadoras” no Soweto. Fazíamos alguma coisa tipo dança de rua, como o Michael Jackson mas sem formação. Era mais dançar para sair das ruas. Então, em 1996, conhecemos Suzette le Sueur, directora executiva da Dance Factory, e ela ofereceu-nos formação em balé, movimentos criativos, contemporânea, e eu pensei sim. A partir daí percebi que realmente gostava e era aquilo que queria fazer na vida.”

Masilo trabalhou em Londres e em Bruxelas. Na África do Sul actuou já com alguns dos mais respeitados coreógrafos do país e criou já alguns trabalhos bastante aclamados.

“A Dance Factory é a minha casa. Desce os onze anos cresci aqui desde os onze anos. Posso ir estudar para Bruxelas mas voltarei sempre aqui. Esta sempre foi a minha base. De momento sou a artista residente, por isso tenho espaço para coreografar,” conclui.

A Dance Factory é financiada pela Embaixada Holandesa (através de um fundo para as Artes e Cultura) e pela Lotaria Nacional da África do Sul.