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Festival de Cinema de Karlovy Vary celebra 45 anos

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Festival de Cinema de Karlovy Vary celebra 45 anos

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A passadeira vermelha já foi inaugurada em Karlovy Vary. Esta pequena cidade da República Checa recebe a 45a edição do seu Festival de Cinema.

Este é um dos mais antigos certames do género na antiga Europa de Leste. Um dos maiores orgulhos dos organizadores é conseguirem mostrar o cinema que se faz naquela região a espectadores de todo o mundo.

A competirem pelo Globo de Cristal, o principal prémio do certame, estão 12 filmes.

Da Argentina chega “Dois Irmãos” do realizador Daniel Burman.

Baseado no romance de Sérgio Dubcovsky, o filme aborda a aproximação e os problemas de comunicação entre dois irmãos quando estes entram na terceira idade.

O filme conta a história de Susana, uma agente imobiliária egoísta, possessiva e dominante, que parece incapaz de compreender o irmão Marcos. Mais sensível, bondoso, que protege a mãe.

O público pode ainda assistir ao cinema que se faz nas antigas ex-repúblicas soviéticas, numa competição especial intitulada:“Este do Oeste”.

Da Sérvia, “Woman with a Broken Nose” oferece a perspectiva de como várias pessoas podem ultrapassar os traumas do passado para conseguirem prosseguir com as suas vidas. Um evento trágico é o elo de ligação entre elas.

“O que posso dizer é que é um mosaico sobre a Belgrado de hoje e qual o estado de espírito das pessoas. E eu diria que que é uma espécie de transição emocional e uma tentativa de lidarmos com todos os problemas dos últimos 15 anos”, explica o realizador Srdjan Koljevic.

A concorrer para o Globo de Cristal está também “Black Field.” A acção passa-se num convento grego, em pleno século XVII.

Um jovem soldado chega ferido ao convento e é tratado por uma freira, por quem se apaixona. O filme tem como foco a identidade sexual.

O grego Vardis Marinakis ainda não obteve muitas reacções. “Algumas pessoas gostam e outras não. Creio que é como uma viagem visual… Emocional. Não obtive nenhuma reacção da Igreja Ortodoxa grega, na Grécia. Talvez não o vissem.”

A competir também para um Globo de Cristal esta produção italo-belga, “Hitler em Hollywood” com a portuguesa Maria de Medeiros.

A concorrer na categoria de documentário está a história bizarra de um americano que constrói uma pequena cidade cheia de pequenos soldados do tempo da Segunda Guerra Mundial, como parte do seu tratamento psiquiátrico.
Para o realizador, Jeff Malmberg esta foi também uma espécie de terapia.

“Penso que foi uma altura da minha vida em que procurava uma forma de chegar a uma pausa. Sempre tive curiosidade nas pessoas que o fizeram. E aqui está uma pessoa que começou a vida de uma maneira muito interessante. Creio que fui atraído por isso”, justifica.

Mark Hogancamp sofreu lesões cerebrais e perda de memória permanente após um ataque brutal. Como não conseguia pagar o tratamento criou-o por si. Construiu uma pequena povoação Belga, em miniatura, no seu quintal no período da Segunda Guerra Mundial.

O Festival de Cinema de Karlovy Vary apaga as luzes a 10 de Julho.