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Oswaldo Payá: "se Cuba liberta presos é apenas para poder extraditá-los"

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Oswaldo Payá: "se Cuba liberta presos é apenas para poder extraditá-los"

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Para o dissidente político cubano e antigo prémio Sakharov, Oswaldo Payá, o gesto do regime de libertar 52 prisioneiros políticos está longe de ser um verdadeiro sinal de mudança.

O fundador do projecto Varela, cujos 23 membros fazem parte do grupo de detidos a ser libertado nos próximos meses, afirma que a decisão do governo cubano não é mais do que uma forma de “extradição”.

Entrevistado pela Euronews, Payá afirmou: “o governo não está a discutir este processo com o povo, como se a população não tivesse o direito a saber o que se passa. O governo não está a falar com a oposição e se liberta estes homens é apenas para extraditá-los, o que quer dizer que não há abertura, mas apenas uma nova era com mais prisioneiros à espera de prisioneiros”.

“Esperamos que este gesto do regime possa criar uma oportunidade para um diálogo entre cubanos, mas repito, o diálogo tem de ser feito garantindo a liberdade de expressão, liberdade de movimentos, de associação e de escolha. Depois de 51 anos o povo cubano não quer continuar à espera”.

“Hoje os cubanos sabem que a mudança é possível. Mas enquanto continuem a não ter direitos, enquanto a lei não for alterada para garantir esses direitos, não será possível um verdadeiro processo de mudança”.

“Se um homem tem de escolher entre ficar na prisão ou abandonar o seu país, isso chama-se deportação. A sua dignidade não está a ser respeitada. Mas nós respeitamos a decisão de cada um dos prisioneiros pois as famílias já sofreram bastante. Mesmo que continuemos a exigir a libertação incondicional de todos os prisioneiros. Isso seria um verdadeiro sinal de mudança”.