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Bósnia e Herzegovina: o difícil caminho a dois

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Bósnia e Herzegovina: o difícil caminho a dois

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Em Novembro de 1995, numa base militar americana, negociações põem fim à guerra que devasta a Bósnia.

Um mês mais tarde, em Paris, os três presidentes da época assinam oficialmente os acordos de Dayton, que estabelecem a divisão do país em duas entidades e um distrito – um dos sistemas políticos mais complicados do mundo.

A federação da Bósnia-Herzegovina, que ocupa 51% do território, é maioritariamente habitada por muçulmanos e croatas. Na Republika Srpska, vivem sobretudo sérvios.

Cada uma das entidades está dividida em vários municípios. Cada uma delas tem um presidente, um primeiro-ministro, um parlamento, uma constituição própria.

Juntas, as duas entidades formam a Bósnia-Herzegovina, que é dirigida, a nível federal, por uma presidência colegial de 3 presidentes representantes das 3 etnias. Presidentes eleitos por quatro anos e que se alternam de oito em oito meses.

Os acordos de Dayton defendiam que sérvios, croatas e muçulmanos fossem representados de forma equitativa e que à paz sucedesse a reconciliação. Mas isso nunca resultou.
As eleições de 2006 marcaram uma viragem, porque os três partidos nacionalistas deixaram de estar na frente da cena política, mas vão de novo de vento em popa, com o aproximar das eleições de Outubro.

Na Bósnia, 14 anos após a guerra, as populações aprenderam a viver em conjunto, mas os líderes políticos não se entendem, sem a intervenção do alto representante da comunidade internacional, sempre presente no país.

De facto, são duas as personalidades que partilham o poder na Bósnia-Herzegovina. Haris Siladzic, ex-primeiro-ministro da federação e actual membro da presidência colegial, e Milorad Dodik, primeiro-ministro da Republika Srpska. Um defende o fim da divisão, outra reivindica o direito à autodeterminação da república sérvia. Duas posições inconciliáveis, mas defendidas em surdina, que contribuem, ao mesmo tempo, para o impasse e para a estabilidade do país.