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Meio século de descolonização levanta polémica em França

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Meio século de descolonização levanta polémica em França

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Depois da vaga de descolonização do pós-guerra, nos anos 50, a França não pôde impedir a segunda vaga dos movimentos independentistas em África. No primeiro dia de Janeiro de 1960, os Camarões inauguraram a segunda vaga que afectou, no mesmo ano, 17 países africanos, dos quais, 13 colónias francesas.

De Agosto a Novembro, os Camarões, o Senegal, o Togo, Madagascar, Congo, Benim, Niger, Burkina Faso, Costa do Marfim, Chade, República Centro, Gabão, Mali e Maurícias declararam a independência.

Nas décadas seguintes, o continente africano ficou marcado pela instabilidade política, conflitos fronteiriços e descalabro económico. Tudo com a omnipresença de França, ex-potência colonial. Uma rede de influência a todos os níveis que deu origem a um termo e a um novo conceito, o da “FrançaAfrica”, empregue pela primeira vez em 1955 pelo antigo presidente da Costa do Marfim, Félix Houpouet Boigny.

Nikolas Sarkozy, antes de ser presidente repetiu a promessa de rever a política franco-africana que, segundo ele, favoreceu os ditadores em África desde de Gaulle a Chirac. Mas a promessa de reconsiderar as relações entre a França e as ex-colónias não se concretizou verdadeiramente.

Na cimeira de Nice, em Maio, em que estiveram os presidentes africanos eleitos democraticamente mas que se mantêm eternamente nos cargos, foi oficializado o convite das ex-colónias para a festa nacional de França, neste 14 de Julho.

Esta reunião de família está a provocar ranger de dentes. “Ver desfilar nos Campos Elíseos tropas chefiadas por criminosos” é a principal crítica da associação “Survie”. O secretário-geral, Olivier Thimonier, denuncia o facto de “França se interessar apenas em preservar os próprios interesses, sem nenhuma exigência democrática” .