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Igreja Católica do Chile propõe perdoar crimes de militares da ditadura

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Igreja Católica do Chile propõe perdoar crimes de militares da ditadura

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A Igreja Católica do Chile propôs ao presidente Sebastián Piñera a amnistia de militares acusados de crimes contra direitos humanos durante a ditadura.

A controversa proposta, justificada por “motivos humanitários”, está a gerar uma onda de revolta num país ainda mal refeito da era negra liderada pelo general Augusto Pinochet.

Mas a Igreja alerta que o indulto se destina aos militares com um grau de responsabilidade menor nos casos e que tenham mostrado gestos de arrependimento.

Alejandro Goic, presidente da conferência episcopal do Chile, diz que “o plano não é abrir feridas do passado, nem tentar curá-las por decreto”.

As organizações de defesa dos direitos humanos entendem que se trata de uma oportunidade para voltar a repetir os erros do passado. Perplexos com a proposta da igreja, alguns familiares das vítimas protestaram mesmo em frente ao Palácio governamental.

A ditadura de Augusto Pinochet deixou uma herança sangrenta de cerca de três mil mortos ou “desaparecidos” e perto de 28 mil pessoas foram torturadas. Mais de 500 militares da época são processados nesses casos.

Os pedidos de clemência da Igreja Católica chegam num altura em que o Chile se prepara para comemorar o bicentenário da independência, na qual se assegura a salvaguarda do império da justiça em termos de crimes contra os direitos humanos.

O presidente Sebastián Piñera deve pronunciar-se sobre este assunto no próximo domingo.