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Veredicto de Duch decepciona muitos cambojanos

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Veredicto de Duch decepciona muitos cambojanos

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A sentença contra o chefe torturador dos Khmers Vermelhos não satisfez muitas das testemunhas e sobreviventes da era de Pol Pot, reunidas para ouvir o veredicto numa tenda no exterior do tribunal.

Várias vítimas e descendentes não conseguiram conter as lágrimas, face a uma sentença que fica muito aquém dos 40 anos pedidos pela acusação e da prisão perpétua que pediam muitos cambojanos.

O irmão de uma vítima diz que os seus sentimentos “são irrelevantes. O que interessa são aqueles que já não estão entre nós e o povo cambojano, que continua a sofrer” e, por isso, afirma que não está contente.

Um sobrevivente confessa “desespero” face a uma pena que considera demasiado leve e diz que os que ainda serão julgados poderão acabar libertados.

Face aos 67 anos de idade, outros consideram muito pouco provável que “Duch” venha a viver ainda em liberdade, mesmo com circunstâncias atenuantes.

A activista e sobrevivente Seng Theary afirma que “mesmo se ele não recebeu a prisão perpétua, passará o resto da vida na cadeia. Visto dessa forma, é [um veredicto] aceitável”.

Uma mulher que viu o pai morto pelos Khmers Vermelhos diz-se “aliviada”.

O tribunal patrocinado pela ONU deverá agora julgar outros quatro antigos dirigentes do regime de Pol Pot, entre os quais o “número dois” Nuon Chea, hoje com 84 anos.