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Dissidente analisa: sem alteração social nada se pode mudar em Cuba

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Dissidente analisa: sem alteração social nada se pode mudar em Cuba

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Um dia depois das cerimónias da festa nacional em Cuba, a euronews encontrou-se com Julio César Gávez em Madrid, onde está instalado desde que chegou, ha 15 dias.

O dissidente cubano, de 66 anos, é um antigo atleta que fez carreira como jornalista desportivo nos Media oficiais até 2001, quando começou a trabalhar como jornalista independente. Na sequência das detenções de 18 de Março em 2003. Foi condenado a 15 anos de prisão. Pedimos-lhe para interpretar o silêncio de Raul Castro.

Júlio César Gávez – Desde que, em 1959, a revolução cubana triunfou, jamais na vida Fidel Castro, durante todos os anos da presidência ou do seu mandato deixou de pronunciar um discurso no dia 26 de Julho, exactamente como fez Raúl Castro. Em nossa modesta opinião este é o modo de fazer política e do regime de Havana tratar de fazer ou de impôr uma nova mensagem ao mundo, que há mudanças, de que há diferenças, que se pode alcançar algo novo com diferentes imagens.
Lamentavelmente não é assim, é mais do mesmo que tem vindo a ocorrer nos últimos 50 anos em Cuba. Não importa quem faz o discurso, o conteúdo é o mesmo, portanto o mandato encoberto é o mesmo.

euronews – Que reformas imediatas deve abordar o regime castrista para que o senhor e todos os dissidentes, aceitem que a União Europeia levante a Posição Comum face a Cuba?

Júlio César Gávez – A primeira mudança que tem de fazer o governo cubano é a mudança política, não se podem fazer, em nenhum lugar do mundo, actualmente, mudanças económicos ou sociais sem mudanças políticas, e Cuba necessita de mudanças políticas urgentes. A situação cubana é caótica em todos os aspectos: no aspecto político, no aspecto económico, no aspecto social. Esperemos que sejam capazes de discernir que é necessário uma mudança política com com o acordo e diálogo entre todos os cubanos.