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Convulsões sociais em França sem abrandamento em férias

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Convulsões sociais em França sem abrandamento em férias

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Antes de férias, a França transmitiu uma imagem de violência desmesurada contra os imigrantes e os mais desfavorecidos. Este foi, pelo menos o caso da expulsão dos moradores de um bairro nos arredores de Paris.
Apesar de ter sido em finais de Julho a polémica aumenta.

Depois dos tumultos, numa visita a Grenoble, o presidente Sarkozy sublinhou os temas que o levaram ao poder em 2007, a imigração (que continua a ligar à delinquência) e a segurança.
Para um presidente conservador, com a popularidade em queda livre, a intervenção suscitou ainda mais críticas:
“Assumo as minhas responsabilidades, a nacionalidade francesa deve poder ser retirada a uma pessoa de origem estrangeira que, voluntariamente, atente contra a vida de um agente da polícia ou de um polícia militar ou qualquer outra pessoa investida de autoridade pública “.

Em meados de Julho, outras imagens fortes fizeram as manchetes em França. O aproveitamento da morte de um jovem assaltante em plena acção na mesma cidade de Grenoble causaram choque. Cenas de guerrilha urbana que lembram os incêndios que devastaram as cités de França à cinco anos.

Assim, o discurso de Sarkozy foi criticado pelos constitucionalistas, como Guy Carcassonne:
“O primeiro artigo da Constituição assegura a igualdade de todos os cidadãos perante a lei, sem distinçao da origem. De qualquer modo não se pode retirar a nacionalidade francesa a uma pessoa e condena-la a ser apátrida, é interdito pelo direito internacional público “.

O ministro francês da Imigração, Brice Hortefeux, anunciou o desmantelamento de 300 acampamentos ilegais de ciaganos “rom”, até ao fim de Outuro.
Os indivíduos que tiverem praticado delitos vão ser acompanhados ate à Bulgária e Roménia, países de origem.

Na oposição, denuncia-se a “deriva anti-republicana” do Chefe de Estado.

O PS francês considera que esta política de segurança visa, de algum modo, abafar as relações duvidosas entre o ministro de Trabalho e a milionária da L’Oreal, Liliane Bettencourt. Só que as relações do poder com esta marca já vêm desde De Gaulle e Miterrand.