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Paquistaneses celebram Ramadão no meio da miséria

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Paquistaneses celebram Ramadão no meio da miséria

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Deveria ser um mês de festa, mas para os muçulmanos no Paquistão este ano o Ramadão é um período extremamente difícil.

Milhões de pessoas vivem em acampamentos improvisados, nas bermas das estradas, sem comida. Um sobrevivente numa aldeia do noroeste do país conta o seu primeiro dia do Ramadão: “Começamos o nosso primeiro jejum com água e só Deus sabe como é que o vamos romper no final do dia. Não temos dinheiro e até agora o governo não nos deu nada”.

Em Nowshera a distribuição de ajuda é acompanhada de tumultos. Todos tentam obter um pouco de comida que permita fazer uma refeição ao pôr-do-sol. Mas a ajuda não chega para todos e o descontentamento cresce entre a população.

Uma habitante mostra a sua indignação: “Começou o Ramadão e não recebemos nada. Estamos desesperados. O que é que vamos comer no final do dia? O que vamos comer antes de começar o jejum? O governo deveria vir e dar-nos ajuda como se deve”.

Na cidade de Multan, na província do Punjab, muitas famílias foram alojadas numa escola. Têm comida e água, mas mesmo assim não conseguem respeitar o mês sagrado do Islão.

Um dos sinistrados explica: “Estou triste por ter falhado o primeiro dia do Ramadão. Eu respeitava de forma rigorosa na minha aldeia. Mas as cheias arruinaram-nos e trouxeram-nos para este campo. Não há casa de banho, não nos podemos lavar e, por isso, não podemos jejuar”.

Apenas crianças, idosos e doentes estão isentos do Ramadão, mas um importante líder religioso paquistanês anunciou que todas as vítimas das cheias podem adiá-lo.