Última hora

Última hora

Muitas promessas; parca ajuda aos paquistaneses

Em leitura:

Muitas promessas; parca ajuda aos paquistaneses

Tamanho do texto Aa Aa

Os doadores prometem, mas a situação no Paquistão é caótica. As epidemias podem começar de um momento para o outro, devido à falta de água potável e de condições sanitárias, em geral. No Noroeste do país, já havia antes das cheias dois milhões de deslocados, devido aos conflitos entre o Exército e os grupos tribais, próximos dos talibãs.

O apelo de Ban Ki Moon e do presidente paquistanês ainda não teve eco.

A ONU pediu 460 milhões de dólares de ajuda de urgência para seis milhões de pessoas mais vulneráveis mas só terá obtido 32 por cento. Em comparação, para o Haiti, a ONU obteve a promessa de 90 por cento da ajuda solicitada em menos de um mês. De um modo geral, 2010 é um ano difícil. Só 50 por cento dos fundos pedidos pela ONU vão ter resposta.

E, 2010, os países menos ajudados pela comunidade nternacional foram o Iémen, o Uganda, a República Centro-Africana e a Guatemala.

Há várias razões: no Haiti, o sismo provocou 225 mil mortos e mais de um milhão de sem abrigo. O país concentrou todos os esforços de solidariedade no início do ano, esgotando os fundos dos doadores, também mergulhados numa crise económica muito forte.

Também há razões internas para o desinteresse internacional: depois do sismo de 2005, a ajuda internacional fluiu para os quatro milhões de pessoas afectadas. Mas o governo desviou mais de 300 milhões de euros e as autoridades responsáveis pela reconstrução nunca os receberam.

O presidente Zardari e o governo reconheceram que o dinheiro dos doadores foi mal utilizado e prometeram que, desta vez, a transparência vai ser assegurada por um departamento especial, criado para a gestão dos fundos, e um site na internet.

Mas a confiança está minada. Nomeadamente a confiança da população, que acusa as autoridades de não fazerem o suficiente e de não lutarem contra a corrupção. Nem os 30 mil soldados no terreno, com helicópteros para salvar os refugiados, ajudaram a restaurar a confiança.

O Movimento dos Talibãs do Paquistão, autor de uma onda de atentados que já fizeram mais de 3500 mortos, solicitou ao governo paquistanês que rejeite a ajuda dos Estados Unidos. A organização pretende ajudar financeiramente as vítimas se o Exército permitir a livre circulação dos chefes talibãs.