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Milhões de crianças em risco no Paquistão

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Milhões de crianças em risco no Paquistão

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É a luta pela sobrevivência para quase nove milhões de crianças no Paquistão. Os mais pequenos representam metade da população afectada pelas cheias. As agências da ONU, como a Unicef, dizem que 3,5 milhões de crianças correm o risco de contrair doenças mortais, devido à ausência de água potável e condições sanitárias.
 
Um sobrevivente do norte do Paquistão conta que as crianças já têm os pés infectados, têm problemas gástricos e intestinais e mesmo oculares. Os alimentos estão infectados, não receberam ajuda do governo e na zona não há assistência médica.
 
Mendigar é para muitos a solução para sobreviver. Junto à estação de comboios de Karachi, há centenas de desalojados à mercê da bondade dos viajantes e à espera da intervenção das autoridades, que ainda não chegou. Uma assistente social evoca a falta de meios de transporte. Outros recusam ir para campos de desalojados, considerando que nas ruas é mais fácil sobreviver.
 
Em Charsadda, as distribuições de alimentos depressa degeneram em motim. Sobreviver é ainda mais difícil para órfãos e mulheres sozinhas com crianças. As mulheres subnutridas não conseguem amamentar os filhos recém-nascidos ou são incapazes de obter comida.
 
Begum tem quatro filhos e queixa-se que há pessoas externas ao campo que roubam as rações e denuncia a acção da polícia. “Nós não recebemos nada e os nossos filhos morrem de fome”, diz.
 
Na corrida pela sobrevivência as crianças são as mais vulneráveis e a ONU garante que um esforço internacional é agora mais do que urgente.