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Ciganos agitam a Europa e a política interna francesa

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Ciganos agitam a Europa e a política interna francesa

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Esta terça-feira, a União Europeia promove uma reunião de alguns dos seus comissários e de ministros dos estados membros, para discutir o problema dos ciganos e as recentes expulsões, decididas pela França.

Isto mesmo foi garantido pelo presidente da Comissão Europeia, ao primeiro.ministro francês.

O assunto vai também marcar o regresso dos trabalhos ao Parlamento Europeu. Ainda esta semana, os euro-deputados devem discuti-lo.

Mas o ministro francês dos Negócios Estarngeiros confessou que chegou a pensar na demissão:

“Há 25 anos, a Roménia e a Bulgária e outros países não estavam na União Europeia. E o muro de Berlim não tinha caído. Agora, a Europa existe, cada um é responsável pela integração das suas populações e, realmente, aquilo partiu-me o coração por ver, não só os ciganos mas também outros – e os ciganos em especial – mal tratados, explorados, as crianças que são drogadas para parecerem doentes e pedirem esmola. Há uma verdadeira opressão esclavagista destas populações. Isso não me agrada de todo. E o que fazer para remediar isto? Demissão? Cheguei a pensar nisso”.

Uma questão que, sabe-se agora, não é pacifica, dentro do Governo.

Mas as críticas multiplicam-se. Uma porta-voz do Centro de Estudos Europeus diz que Paris violou o Direito comunitário, com estas expulsões:

“O senhor Sarkozy não pode anunciar uma expulsão colectiva de uma certa quota de pessoas. Para justificar a expulsão de um cidadão europeu, ele deve fazer um exame, caso por caso, da situação pessoal”.

Esta é a questão que está a agitar Bruxelas. Apesar de Paris dizer que se trata de regressos voluntários, o que as televisões têm mostrado assemelha-se mais a um repatriamento em massa, com destino à Roménia e à Bulgária.

E aqui há outro argumento jurídico: estes estados devem promover a integração dos seus nacionais, mas nunca o fizeram.

De uma forma ou de outra, a lei parece proteger os ciganos. Mas a lei e a política não são sempre a mesma coisa.