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Que Iraque os americanos deixam para trás?

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Que Iraque os americanos deixam para trás?

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A invasão das tropas lideradas pelos Estados Unidos, em 2003, pôs fim a 35 anos de ditadura, mas o Iraque acabou por mergulhar no caos. Na hora da retirada, os americanos deixam uma nação assolada pela violência e uma democracia paralisada.

Os resultados das eleições de Março não permitiram a nenhum partido governar sozinho e até agora foi impossível alcançar um acordo. A 16 de Agosto, os dois principais partidos romperam mesmo as negociações para a formação de um governo.

E a instabilidade política é um cenário ideal para a violência, sendo que a partir de agora cabe aos iraquianos garantir a segurança do país. O que será impossível antes de 2020, segundo um alto responsável do exército iraquiano.

50 mil soldados norte-americanos ficam no terreno para além de 31 de Agosto, mas apenas para treinar as tropas iraquianas.

Um dos grandes desafios das forças iraquianas será a violência confessional. Já não mata duas mil pessoas por mês como em 2006 e 2007, mas ainda morrem 300 pessoas por mês.

A violência mas também a carência de bens de primeira necessidade tornam o dia-a-dia dos iraquianos muito difícil. Falta água potável e electricidade. Desde a invasão em 2003, que há uma falta de 61% no fornecimento de electricidade. No Verão há apenas duas horas de energia eléctrica por dia.

A ajuda humanitária internacional continua a ser indispensável, como salienta o representante do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados no Iraque. “É muito importante que países em situação de conflito ou pós-conflito recebam ajuda suficiente por um certo período, porque as estatísticas mostram que a maioria das situações pós-conflito voltam a entrar em conflito dentro de sete anos”, explica Daniel Andres.

Sete anos após o derrube de Saddam Hussein, os iraquianos não têm Governo, nem segurança, nem serviços essenciais.