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Operação Novo Amanhecer marca fim oficial da guerra no Iraque

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Operação Novo Amanhecer marca fim oficial da guerra no Iraque

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É o virar da página na história do Iraque. As mudanças não se anunciam para já radicais, mas cabe agora às autoridades iraquianas assumirem completamente as rédeas do país, como fez questão de sublinhar o vice-presidente norte-americano, Joe Biden, em Bagdade.

“As tropas iraquianas vão assumir a segurança do seu país. O compromisso norte-americano para com o Iraque vai continuar através da missão que começa hoje: a operação Novo Amanhecer.”

Na cerimónia de lançamento da nova missão “Novo Amanhecer”, Joe Biden deixou alguns recados à classe política iraquiana.

“Os iraquianos de todas as comunidades votaram em grande número e esperam um governo que reflicta o resultado do voto que colocaram na urna. Isto exige que os políticos iraquianos ponham os interesses nacionais à frente dos seus. Aconselho-os a terem a mesma coragem que os seus cidadãos têm demonstrado para levar este processo até ao fim e a formarem um governo. O que acredito que vão fazer em breve.”

O tão desejado fim da missão de combate norte-americana é visto pelos iraquianos com um misto de sentimentos e a reunião entre Joe Biden o clérigo xiita Ammar al-Hakim, apoiado por Teerão, não aconteceu por acaso.

Khalid Ibrahi vive em Bagdade e defende que “o Iraque está sem governo e sem soberania e é por isso uma presa fácil para qualquer Estado que queira ocupar o país. Se as tropas americanas saem, entra o Irão”, conclui.

Fadhil Hashim, outro habitante da capital iraquiana sempre esperou “que as tropas americanas deixassem o Iraque, mas não nesta altura.”

À espera da formação de um governo desde as eleições do dia 07 de Março, os iraquianos têm mais medo do que esperança. O país é praticamente todos os dias palco de atentados terroristas de uma violência extrema.

Uma realidade que não parece demover o responsável iraquiano pela segurança do país, Nasir al-Ibadi, das suas convicções.
“Não acho que a retirada norte-americana tenha chegado depressa demais. Andamos a treinar e a lutar contra insurgentes e terroristas desde 2005 e fomos preparados para este momento pela coligação liderada pelos norte-americanos.”

50 mil soldados norte-americanos vão permanecer no país até ao final de 2011 para continuar a formar as forças iraquianas. Uma medida que permite a Washington reforçar os contingentes que lutam actualmente contra os talibãs no Afeganistão.

Para o analista Faisal Naser, “os Estados Unidos precisam de utilizar o seu poderio militar noutros sítios, nomeadamente no Afeganistão. A actual situação económica e os custos exorbitantes gastos por Washington no Iraque são factores que levaram a uma aceleração da retirada das forças de combate norte-americanas.”

Sete anos após a queda do regime de Saddam Hussein, chegou o momento de verdade para o Iraque. O país é desde hoje senhor do seu próprio destino.