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"Netanyahu tem margem de manobra nas concessões territoriais"

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"Netanyahu tem margem de manobra nas concessões territoriais"

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O primeiro-ministro israelita afirmou que “uma paz verdadeira e duradoura só será alcançada com concessões mútuas e dolorosas”.

O presidente da Autoridade Nacional Palestiniana só está disposto a negociar se Israel prolongar o congelamento dos colonatos.

Mas será que Benjamin Netanyahu tem condições para o fazer tendo partidos pró-colonatos na coligação? Para responder a esta pergunta, a Euronews entrevistou o professor Efraim Inbar, director do Centro Begin-Sadat para Estudos Estratégicos.

euronews: O senhor conhece Benjamin Netanyahu. Como lhe parece que ele vai poder fazer concessões dolorosas quando tem tal oposição dentro do seu Governo?

Efraim Inbar: Claro que há questões em que não é possível fazer concessões, como as exigências palestinianas de trazer refugiados para Israel ou de controlar o Monte do Templo em Jerusalém, que é o local mais sagrado para os judeus. Nesses assuntos, Netanyahu é apoiado por uma gigantesca maioria de israelitas. E todos nós, incluindo eu, somos contra este tipo de concessões. Mas em termos de concessões territoriais, acho que Netanyahu tem uma grande margem de manobra. E o público apoia, basicamente, uma solução de dois estados e a necessidade de fazer concessões. E mesmo o desmantelamento, se necessário, de parte dos colonatos.

E: Isso significa que há espaço para concessões na questão dos colonatos judeus na Cisjordânia e em Jerusalém Leste?

EI: Jerusalém é uma questão muito sensível. Não me parece que, nesta fase, os israelitas estejam prontos para conceder aos palestinianos o controlo do que se chama a Bacia Santa à volta do Monte do Templo. Pode haver vontade para entregar alguns bairros árabes no Leste de Jerusalém, mas não tenho a certeza que os árabes desses bairros queiram fazer parte da Autoridade Palestiniana. Na verdade, ouvimos vozes entre os árabes de Jerusalém Leste que pedem um referendo, porque eles não estão seduzidos pela ideia de se tornarem parte da corrupta, antidemocrática e autoritária entidade palestiniana.

E: O presidente Abbas pensa que o prazo americano de um ano para um acordo de paz é suficiente, mas não lhe parece pouco tempo?

EI: Desde os Acordos de Oslo já passaram 17 anos e não houve possibilidade de acordo. Portanto, se for possível num ano, ninguém lamentará, à excepção dos extremistas, mas para sermos realistas, acho que as questões são bastante complicadas e vai ser preciso mais do que um ano para tentar resolvê-las. Eu defenderia uma abordagem diferente. Acho que deveríamos ir pela gestão de conflitos, em vez de tentar resolver todas as questões, e tentar limitar o sofrimento, entretanto, em vez de planear uma paz grandiosa, que, se falhar, vai provocar mais violência.