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A encruzilhada de um pais em forma de referendo

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A encruzilhada de um pais em forma de referendo

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Os turcos consideram o referendo às emendas na constituição uma encruzilhada que vai marcar em definitivo o futuro do país. A oposição acredita que as alterações à Lei Fundamental servem os propósitos do partido islâmico AKP, no poder, e que é um passo em direcção a criação de um estado Islâmico.

Num bairro turco em Bruxelas, muitos cidadãos reúnem-se no café da associação do pensamento de Ataturk, o fundador da Turquia moderna e laica.

“Com as alterações à constituição vai existir uma desqualificação da magistratura laica a favor de uma comissão de Ulemas que decidirá a aplicação de leis no país”, refere um defensor do “não”.

Os defensores do sim acreditam que a reforma vai tornar a Turquia mais democrática, sem a influência de uma elite, em particular no sistema judicial, e num grande passo em direcção à União Europeia.

“Votei antecipadamente e votei no sim, porque este governo fez coisas muito favoráveis para o nosso futuro, para as nossas crianças, para o povo. Enfim, eles estão a trabalhar muito bem para a Turquia”, diz um defensor do “sim”.

Durante a campanha a Turquia bipolarizou-se com acusações de parte a parte, chegando a haver um apelo ao boicote por parte de alguns partidos.

A relatora do parlamento europeu para a Turquia considera que as reformas são importantes no caminho europeu de Ancara e que apelar ao boicote é antidemocrático

“Ninguém deve ser impedido de ir às urnas, todos devem ter o direito de votar e dizer sim ou não. Existem partidos da oposição que dizem que os cidadãos não devem votar. Considero isso muito insensato”, avança Ria Oomen-Ruijten.

Bruxelas acabou por moderar a posição de apoio às reformas considerando que houve pouco debate público. Uma crítica motivada pela informação nalguns jornais de que o primeiro-ministro Recep Tahiip Erdoha teria ameaçado com “eliminação” um grupo de empresários por inexistência de apoio público ao sim.

O eurodeputado socialista Hannes Swoboda explica porque defendia um maior debate de ideias. “Sim, gostaria que tivesse havido uma discussão mais animada. Talvez tivesse sido possível encontrar um entendimento, caso tivesse havido um debate mais prolongado, teria sido muito melhor. Mas agora temos que reconhecer as decisões da Turquia”, diz Swoboda.

É já no domingo que os cerca de 50 milhões de eleitores se pronunciam num referendo em forma de teste às legislativas do próximo ano.