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13 vítimas de abusos sexuais de padres belgas suicidaram-se

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13 vítimas de abusos sexuais de padres belgas suicidaram-se

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Os abusos sexuais na Igreja Católica levaram 13 vítimas ao suicídio e seis outras a tentarem suicidar-se. Esta é a mais grave revelação do relatório da comissão de inquérito sobre a pedofilia na Igreja Católica belga.

A comissão ouviu 475 testemunhas, sobre os abusos ocorridos entre 1950 e o final dos anos 80. O pedopsiquiatra Peter Andrianssen, que dirigiu os trabalhos, explica a especificidade do caso belga: “Na Holanda, a maioria dos casos aconteceu nas escolas. Mas nós aqui, na Flandres, fomos confrontados com o fenómeno da amizade dos padres. Os padres eram amigos das famílias. Muitos pais tinham toda a honra em convidar o padre para jantar.”

Estas revelações surgem um dia depois de um tribunal belga ter declarado ilegais as buscas realizadas em Junho, em locais da igreja, nomeadamente na sede da arquidiocese de Mechelen-Bruxelles.
O ministério público deverá devolver os documentos apreendidos no domicílio do antigo primaz da Bélgica, o cardial Godfried Danneels, que se demitiu em Janeiro, por ter alcançado o limite de idade.
Foram as buscas, numa cripta da catedral de Malines, que provocaram os protestos do Vaticano e levaram o tribunal a decidir que eram “ilegais” por serem “desproporcionadas”.

A comissão de inquérito foi dissolvida, quando os dossiês passaram para as mãos da justiça. A comissão tinha reunido 475 testemunhos de vítimas e de familiares de vítimas, dois terços dos quais feitos por homens, hoje com 50 ou 60 anos. Na altura, a maior parte das vítimas tinha cerca de 12 anos; outras eram crianças entre os dois e os cinco anos.

A maioria das queixas veio a público após a demissão forçada do bispo de Bruges, a 23 de Abril. Roger Vangheluwe reconheceu ter abusado sexualmente do próprio sobrinho, entre 1973 e 1986. Retirado na abadia, o bispo de Bruges está sob pressão da opinião pública para que se despadre. Esta semana, o antigo primaz, Godfried Danneels, fez o seu ‘mea culpa’ ao reconhecer que devia ter encorajado mais cedo a demissão de Vangheluwe.