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Turquia vota domingo no referendo para uma mudança constitucional

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Turquia vota domingo no referendo para uma mudança constitucional

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A Euronews falou com o escritor e jornalista turco Roni Margulies.

Euronews: Senhor Margulies que significado tem este referendo para a Turquia?

Roni Margulies: Este referendo é organizado para votar numa pequena alteração à constituição. Trata-se de uma alteração pequena e insuficiente mas com muita importância.

Não tenho dúvidas da vitória do sim. A principal mudança será a tutela dos tribunais superiores, do Tribunal Constitucional e do Conselho Superior de Magistratura. De certo modo, a tutela militar sobre essas instituições será reduzida.

Isto significa um passo rumo à democracia, pequeno, frágil mas muito importante. Depois disso vamos continuar a trabalhar, pressionando e organizando campanhas para mudar toda a Constituição.

O que pensa do principal partido da oposição ter rejeitado uma reforma no sentido da democratização?

Roni Margulies: Quando fala da oposição, vem-me à cabeça o Partido republicano do povo, o CHP.

A posição dessa formação é muito clara: o Partido republicano do povo é um partido de Estado.

O processo que está a passar no país desde há 10 ou 15 anos poderia definir-se como um combate entre as forças civis e o estado.

A posição do CHP neste confronto é claramente conhecida: o seu objectivo é manter um statos quo estatal, os próprios o reconhecem de forma muito aberta.

Quando vimos isso, a oposição do CHP a todas estas modificações que diminuem o despotismo do estado, é completamente normal.

Euronews: A União Europeia apoia abertamente a reforma Constitucional. Mas se o resultado do referendo for o “Não”, como vai isso influenciar o processo de negociação entre a Turquia e a UE?

Roni Margulies: Que rumos vão tomar as negociações caso vença o “Não” isso não me interessa muito. O que me preocupa em caso da vitória do “Não” é que vamos continuar a viver durante décadas com a constituição herdada de um golpe de Estado em 12 de Setembro de 1982, nesta camisa-de-forças.

Porque vai ser muito difícil tentar mudar a constituição novamente. Aqueles que não querem a mudança vão dizer-nos que já tnhamos consultado o povo por referendo e que a resposta foi “Não”… Por isso a constituição não poder ser mais modificada.