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Vitória no referendo não apaga divisões na Turquia

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Vitória no referendo não apaga divisões na Turquia

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O povo turco disse “sim” à reforma da constituição e o AKP do primeiro ministro Recep Erdogan sai reforçado mas a Turquia continua dividida.

Este é o primeiro balanço após a ida às urnas para referendar as emendas à Constituição que desde 1982 geria o país.

A nova Lei Fundamental reduz a influência dos militares na política, situação exigida pela UE numa altura em que a Turquia negocia a sua adesão.

O primeiro-ministro aproveitou para apelar à mobilização de todos os círculos políticos para que se juntem a esta nova visão democrática.

A consulta obrigou ao confronto entre o partido islâmico de Erdogan e a tradição secular turca, que há oito anos se defrontam pelo poder e abriu boas perspectivas ao Partido da Justiça e do Desenvolvimento para um terceiro triunfo nas eleições do próximo ano.

Os analistas afirmam, no entanto, que as 26 emendas não transformam o fundo não democrático de um texto aprovado pelos golpistas há 28 anos. “Havia uma polarização entres os turcos e os resultados do referendo mostram que essa polarização ainda existe e vai continuar”, explica a analista Ayse Karabat.

As preocupações da oposição laica concentram-se sobretudo na modificação da estrutura das duas principais instâncias judiciais, o Tribunal Constitucional e o Conselho Superior de Magistratura.

A reforma prevê que o número de membros do Constitucional passe de 11 para 17, três dos quais nomeados pelo Parlamento, controlado pelo partido de Erdogan.