Última hora

Última hora

Afeganistão: 16% dos candidatos são mulheres

Em leitura:

Afeganistão: 16% dos candidatos são mulheres

Tamanho do texto Aa Aa

A constituição afegã estipula que pelo menos um quarto dos 249 assentos parlamentares sejam ocupados por mulheres. Nas últimas eleições, as mulheres conquistaram 28 por cento da assembleia.

Dos perto de 2500 candidatos que agora se apresentam, 16 por cento são mulheres, entre as quais Shukria Barakzai, jornalista e fervorosa activista pelos direitos das mulheres num dos países mais conservadores do mundo. A deputada espera ser reconduzida no cargo e acredita num futuro melhor para o Afeganistão.

euronews: Estamos num momento crucial para o povo afegão que vai às urnas para escolher um novo parlamento. Estamos em contacto com Shukria Barakzai, activista política, ex-membro do Grande Conselho Tribal e candidata nestas eleições. Quais são as suas expectativas para estas eleições?

Shukria Barakzai: As eleições actuais decorrem numa situação estranha. O povo afegão espera beneficiar de um bom parlamento que, de acordo com a lei, vigie a aplicação da lei, acabe com a corrupção, estabeleça a paz e consolide a unidade no país. No entanto, dadas as circunstâncias actuais e os critérios segundo os quais os candidatos foram apresentados, as expectativas excedem as suas capacidades. Mas continua a existir a esperança de que o povo do Afeganistão mostre a sua prontidão para realizar a democracia no país. O parlamento é uma instituição que precisa de ser construída e firmemente estabelecida. Isto exige que avancemos com as eleições. Esperemos que o novo parlamento tenha mais sucesso no serviço ao povo afegão.

EN: Um aspecto interessante das eleições actuais é a quantidade e proporção de mulheres que se apresentam contra os candidatos masculinos. O que esperam conseguir as mulheres afegãs com esta participação?

SB: As mulheres afegãs querem mais do que nunca, tal como o resto da população, ser ouvidas no parlamento. Querem que lhes sejam dedicados mais projectos especiais, querem um orçamento específico do qual possam beneficiar para a saúde e programas educativos e querem assistência para procurar empregos. A respeito do número de candidatas, é preciso dizer que os problemas que enfrentam as mulheres no Afeganistão ultrapassam largamente os dos homens. Ainda assim, estamos contentes por poder dizer que o número de candidatas representa a percepção que têm as mulheres da sua situação e espero que cada vez mais mulheres participem neste processo.

EN: Se tiver sucesso nestas eleições, o que pensa fazer pelas mulheres e quais são os planos que tem, em geral?

SB: Vou liderar um partido chamado a “Terceira Linha”. Somos reformistas e acreditamos que podemos fazer as coisas de uma forma melhor. O Afeganistão deveria passar de um regime controlado pelo “anciãos” para um Estado de Direito. O nosso trabalho pelo povo do Afeganistão e, em particular, pelas mulheres não é simplesmente um “lema”, mas sim um compromisso com o mundo em geral – e as mulheres em geral – de que continuaremos neste caminho, seja através do parlamento ou de outra forma. Quero também acrescentar que, para mim, estar no parlamento não é o objectivo primordial. Tenho muitos sonhos para o meu país e o meu povo, e acredito que o povo afegão merece o melhor. Quero que tenha não apenas bons representantes no parlamento, mas que viva nas boas graças e em liberdade.