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Ex-comissários europeus recebem ajudas polémicas

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Ex-comissários europeus recebem ajudas polémicas

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Charlie McCreevy e Joe Borg são dois dos 17 antigos comissários europeus que recebem avultadas ajudas para reconversão profissional, mesmo já tendo actividades salariais.

Joe Borg, ex-comissário para a Pesca, trabalha num grupo de pressão ligado à pesca e Charlie McCreevy, ex-responsável europeu pelo Mercado Interno, integra o Conselho de Vigilância da Ryanair. Ao mesmo tempo recebem cerca de 11 mil euros mensais de Bruxelas, através do mecanismo de reconversão profissional.

“Eles são pagos durante os três anos após o fim do mandato. Se conseguem um emprego e se a soma do novo salário e das ajudas for superior ao salário de comissário, perdem as ajudas. Se o emprego for muito bem pago, não conseguem nenhuma ajuda. É assim que funciona”, diz Michael Mann, porta-voz da Comissão Europeia.

“Muito bem pago” significa um salário superior a 22 mil euros mensais, ou seja, o salário que recebiam enquanto comissários. Abaixo desta soma, têm direito a uma ajuda que varia entre os 40 e os 65% do antigo salário.

É assim que funciona, mas os casos não deixam de causar polémica na imprensa alemã, que revelou o assunto, e na sede da ONG “Alter EU”. A organização lançou uma petição na internet para mudar as regras: exige que os comissários estejam proibidos de exercer uma actividade três anos após a partida de Bruxelas.

Yiorgos Vassalos, da “Alter EU”, considera que “a Comissão não vigia de forma séria os novos empregos dos antigos membros e não vigia se eles têm direito ou não às indemnizações”.

Mesmo o Parlamento Europeu considera o actual sistema laxista e pediu a mudança do código de conduta até Agosto. Os eurodeputados ainda esperam a resposta de Durão Barroso.