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Férias forçadas para presidente da Câmara de Moscovo

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Férias forçadas para presidente da Câmara de Moscovo

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O carismático autarca de Moscovo perdeu a batalha contra o Kremlin depois de 18 anos na presidência da Câmara.

Moscovo tem 10 milhões e meio de habitantes e Iúri Lujkov geria uma economia de mais de 200 mil milhões de euros, 25 por cento do PIB do país.

Era um dos barões da velha guarda de Boris Ieltsin, saído do partido comunista como todos os líderes da da mesma geração. Foi nomeado por Ieltsin em 1992, em pleno caos pós-soviético.

Iniciou imediatamente a transformação da cidade, diluindo o cinzentismo do betão numa atractiva vitrine do capitalismo russo, com dinamismo e luxo.
Mas há sempre o reverso da medalha e a capital continua a sofrer engarrafamentos constantes, poluição, aumento do custo de vida e corrupção.

Os apoiantes de Lujkov elogiam a realização de grandes trabalhos como a reconstrução de uma estrada periférica na capital e a construção de uma terceira via de transportes assim como a reconstrução da Catedral de São Salvador. Mas o boom do sector imobiliário e da economia do centro de Moscovo não esconde o fosso entre ricos e pobres, nos arredores de Moscovo e os opositores criticam o sacrifício dos edifícios históricos à construção civil.

Entre os promotores que enriqueceram escandalosamente está a mulher do presidente que, de simples empregada camarária passou a mulher mais rica da Rússia, com uma fortuna de três mil milhões de dólares e um verdadeiro império imobiliário. É ela a responsável por todas as obras públicas da cidade e a elas deve a fortuna pelo que não escapa às acusações de nepotismo.

Os opositores de Lujkov fizeram uma campanha nos canais de televisão mais próximos do Kremlin, em que acusaram directamente o presidente da Câmara de favoritismo em relação à mulher, Elena Batourina, de corrupção e de desinteresse pelo destino dos moscovitas durante a crise da poluição, devida aos incêndios que devastaram a Rússia. Lujkov pagou uma fortuna para retirar as suas abelhas da capital quando o fumo era mais expesso e ele próprio estava na Áustria.

Nacionalista, cristão ortodoxo, é acusado de homofobia. Qualifica as paradas gay como satânicas…mas afirma o mesmo sobre as manifestações da oposição.

Foi eleito em 1996, depois em 99 e por fim em 2003. Putin impôs-lhe o primeiro limite em 2004, quando decretou o fim das eleições para os postos de presidente de câmara e governador.

Mas a posição do primeiro ministro é delicada. Faltam dois anos para as eleições e Loujkov ainda gere milhões de votos do Partido Rússia Unida.